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terça-feira, 23 de outubro de 2012

R.E.M.

Um casal de idosos, sentados no ônibus, conversando.
"Você vai ficar comigo pra sempre?"
"Sim, para sempre!"
"Nós não vamos viver muito mais, mas eu quero ir embora junto com você"
Eles se abraçam.
“Eu te amo”
Tudo fica branco.
Estou na sala de aula, ensino médio. Em minha volta muita gente, mas do meu lado meu amigo e Ela, como era costume. Um professor de matemática mandando a gente desenhar expressões em figuras que pareciam ser rostos num papel. Eu estava brincando, fazendo bagunça, meu amigo e Ela já tinham acabado o dever. Eu, por mais que me esforçasse não conseguia me concentrar e continuava a fazer bagunça. O professor gostava de mim, mas ficou muito irritado com a minha bagunça. Eu também gostava dele, mas fiquei irritado que ele não estava sendo paciente.
Tudo fica branco.
Estou com pessoas da minha antiga escola observando algo que não me recordo bem, parece um passeio. Meus amigos estão atrás de mim. Coloco minha mão sobre uma mão atrás de mim pensando ser um amigo e faço uma brincadeira. Olho para trás. É uma garota da minha escola, não era da minha sala.
"Desculpa, pensei que fosse outra pessoa"
"Tudo bem"
Olho para o lado e vejo um conhecido da mesma sala dela, os dois são amigos. Brinco com esse garoto sobre ser uma criança e ele ser meu pai. Os dois acham graça, nesse momento pareço muito baixo.
Branco.
Estou me arrumando num banheiro que me lembrava o do quarto do meu irmão. Estou ajeitando o cabelo com um pente. Um outro amigo entra no banheiro.
"Preciso usar o banheiro"
"Estou me arrumando"
"Então não olhe!"
Ele entra no banheiro e eu saio imediatamente. Vou para a sala, lembra a antiga casa da minha avó. Lá na sala os dois conhecidos da minha escola viraram dois antigos amigos meus. Eles estão deitados no chão junto com o meu primeiro amigo que está sentado em frente a uma TV ligada. Nada passa na TV, a sala está escura só com a luz da TV iluminando. Falam sobre uma história sobre o caso de uma garota que ficou com um garoto e eles eram amigos, e, nesse mesmo momento, Ela entra na sala. Meu amigo continua a conversa.
"Isso é como aconteceu com uma conhecida"
Ele cita o nome de uma pessoa que está na sala, deitada no chão, como se ela não estivesse lá. 

Ela olha imediatamente para mim e eu para Ela, não consigo fingir e esboço um sorriso sem graça. Ela começa a chorar e sai da sala.
Olho para meu amigo e ele se desculpa com a cabeça. Eu saio atrás Dela. Tudo Fica Branco.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Eleuterofobia

"Quem é o vilão?"
Todo dia acordava com um pensamento nada peculiar, o mesmo rondava a minha cabeça pelo dia inteiro. O destino me pós em mãos dois caminhos, por vezes foram mais que dois, e sempre tive que escolher. Normal.
Até aonde você iria por uma pessoa? Que escolhas faria por ela? Para chegar aonde cheguei precisei viver por mim mesmo, me libertar da necessidade de alguém.
Um dia, porém, acordei sem pensar em nada. Andei pela casa sentindo a vida, inspirando cada centímetro de bagunça, de poeira. Estava tudo sujo. Eu estava sujo. Olhei pela janela e vi o que nunca tinha visto: Uma vista maravilhosa, por entre concretos cinzentos, havia uma vista maravilhosa. E nada mais era vulgar.
"Hoje me livrarei dessa corrente!" Pensei.
Queria resolver problemas antigos, e fui sem peso na consciência. Não tem como agradar a todos e, normalmente, quando agrada a um, fere a outro. Nunca tive inimigos e nunca gostei de ter, pra mim eles não existem.
Saí na rua fazendo com que o mundo não me visse, era o dia de ser livre. Encontrei-me com algumas pessoas e arrumei minha vida. Ajeitei a bagunça.
Por que as pessoas não pensam iguais a mim?
A vida é muito complexa para problemas insignificantes, deixemos, por fim, a problemática de lado, pelo menos as que são sem sentido, as que não tem necessidade.
Eu estava bem comigo mesmo, me vangloriando por ser melhor do que eu podia e não só perdoar a outros, como perdoar a mim mesmo. Eu consegui me vencer, encontrar um eu de paz.
Como eu disse: As pessoas não pensam iguais a mim e é por isso que quando você agrada a um, você desagrada outro. Eu não tenho inimigo, não quero ter, e por isso ninguém vai ser o vilão para mim. Só para mim.
Se alguém me perguntar quem está errado eu não sei responder. E quem, afinal de contas, é o vilão?
Por não ter ficado preso, por ter criado minha própria liberdade, por não ter seguido a vida como "deveria", eu sou o vilão.
Eu construí essa destruição e vou ser o único que vai pagar por ela.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por Inteiro e pela história




Por quê? Por que se o tempo passa isso se chama nostalgia? O nome já passa um sentimento de doença... “Estou com nostalgia", então vá se tratar. Não vejo doença, vejo que posso ir e voltar, e mudar, mudar muito. Vejo que posso rir e falar: "essa foi boa", foi ótima! A impressão que um futuro vai chegar passa completamente despercebida pelos olhos ‘nostálgicos’ do tempo impresso. E se o tempo chega, da até vontade de dizer que foi ‘coincidência’, mas e se tiver sido destino? Por que teria sido destino?
O clima. O ar. Sinto-me dentro do ambiente novamente, sinto o peso da roupa pelo meu corpo, sinto vontade de ir, ir embora, arrumar a bagunça e falar: "já fiz tudo, viu?". O sentimento é de... Bom, receio que seja de algo próximo a paixão, paixão pela vida, paixão pelo que viveu e, também, uma enorme vontade de gritar para todos: "Eu vivi esse momento!", e acredite, eu vivi, e por isso gosto de voltar atrás e relembrar, não sou um museu, múmia, ou qualquer outra analogia as lembranças passadas, sou um apaixonado, apaixonado pela vida, apaixonado pelos momentos. Os momentos sim, eles que trazem alegria, mas trazem angustia. Angustia por quê? Angustia de quem viveu e sentiu necessidade de viver mais, viver mais aquele momento, um momento que está preso no passado, acabei, por fim dessa conclusão, descobrindo o real significado de nostalgia.
Mas não quero lembrar com nostalgia, ou melhor, não quero a nostalgia, uma doença, uma palavra ruim, feia. Que tal paixão? E se for amor? Prefere assim? Se for muito difícil tragar essas palavras, use apenas felicidade.
 
E se for ver com esses olhos, ser feliz é nada mais nada menos que descomplicar. Nada de complexidades. É difícil, e, sejamos realistas, o mundo não é assim, mas tente ser absolutamente imparcial, descomplicado.
Mas o que me deixa muito chateado é não poder prever o futuro, para comentar com um amigo: "Ei, adivinha o que vai acontecer", mas essa é a graça, no futuro iremos rir, sim, rir, de tudo. Ficaremos sempre magoados, sempre, mas podemos sempre rir, sempre.
Uma imagem que não apenas diz algumas palavras, mas conta uma história de uma vida toda, vivida até o momento e enquanto estiver vivendo.
Não acredito em nostalgia, acredito em paixão, a paixão que expresso um simples sorriso, a paixão que me lembra daquilo que eu sou, eu sou o que está aí e isso não pode ser tirado de mim, eu sou o que aconteceu, eu sou o agora e, por mais que seja diferente, serei o futuro.
E sempre carregarei essa paixão.


Thadeu Saieg
 

sábado, 22 de setembro de 2012

Monólogo da Separação

[Música calma começa a tocar]
[Entrada na cena] [Música para] [Entra olhando para cima]
Há uma coisa, uma pequena coisa, que não contei para vocês. [Olha para a plateia]
Obrigado pelos aplausos mais uma vez, muito obrigado mesmo. [Fala meio disperso]
Sim, voltando, há uma coisa que não falei para vocês: A vida muda, e a minha sempre mudou e de várias formas diferentes. Na maioria das vezes foi ruim. [Olha para baixo e solta um suspiro de cansaço]
Eu não sou bom em lidar com as mudanças e elas ocorrem o tempo todo e, ás vezes, sem você perceber.
Não é que tudo na minha vida dê errado, não estou falando isso. [Esfrega os olhos] É só que eu levo muito á sério coisas ruins.
[Senta-se numa cadeira]
Com licença, mas estou muito cansado, cansado demais para conseguir por os pensamentos em ordem, mas vou tentar.
[Encurva-se para a plateia]
Ultimamente tenho feito tanta coisa num só dia. Retomei minhas aulas de teatro, sou um dos melhores alunos da turma. Tenho qualidades, muito boas por sinal, tenho defeitos, quem não os tem? [Esboça um sorriso de canto] Aprendi muita coisa nesse meio tempo e nunca vou parar de aprender, teorias e práticas, profissional e pessoal. Sou uma nova pessoa, diferente, e sempre vou ser diferente!
[Recosta-se novamente na cadeira e olha para um ponto fixo com olhar vago no meio da plateia]
Eu tenho amigos, bons amigos e os faço em todo lugar, o engraçado é que escolho as pessoas certas, divergências acontecem, mas são as pessoas certas porque fazem parte do meu caminho, imagina se não fossem? Terrível!
[Abriu um sorriso em tom de alegria]
Escrevo minhas próprias peças e todos gostam delas, algumas pessoas não concordam, mas a maioria gosta, mesmo que seja para me agradar! Que mal tem isso? Eu gosto, me sinto bem.
Sou uma pessoa boa, não desejo o mal nem da pior pessoa do mundo, nem daqueles que me fizeram sofrer.
[O sorriso se desfaz]
Nem da pessoa que me fez sofrer. [Uma rápida pausa] Sabe, de todas as mudanças que já passei nunca achei que sofreria tanto, ou melhor, não podia saber que um dia sofreria tanto.
[Outra rápida pausa]
Como se pode desejar o mal da pessoa que amou? Nem que fosse a pior pessoa do mundo, e talvez seja.
O sofrimento faz parte, as mudanças fazem parte.
Não sou triste, sou uma pessoa feliz, com altos e baixos, sou feliz. [Abre novamente um sorriso] Vocês tem que ver como as coisas estão dando certo, para mim e para as pessoas em minha volta, que felicidade!
[Vagamente vai fechando o sorriso] [Olha novamente para um ponto fixo com olhar vago]
Mas é que quando tento lembrar do passado, mesmo de uma forma boa, com felicidade do que já foi bom, eu não consigo, eu consigo entender como, não consigo entender por que.
O sofrimento me ensinou a ser mais feliz, mas não me ensinou a esquecer.
[Fecham-se as cortinas]

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ás vezes faltam palavras

"Oi, quanto tempo..."
"Oi... é verdade...
Sabe, tem muitas coisas que gostaria de dizer agora, coisas que me fazem pensar e me fazem triste, mas ao mesmo tempo feliz que estou falando, finalmente irei dizer o que sinto, num lugar tão inusitado. Me perdoe se você não quiser ouvir, me perdoe se agora não é a hora devida e que talvez eu devesse falar em uma outra oportunidade, mas talvez seja a última vez que irei te ver, talvez não tenha uma segunda chance e eu, como você bem já sabe, já desperdicei muitas chances até agora. Não posso mais, vou falar, tem que ser agora.
Me desculpe, me desculpe por tudo, desde que eu abandonei o que era pra você uma amizade até o dia em que desisti dela, nunca fui bom de correr atrás do que eu perdi, sempre abaixo a cabeça, e a culpa foi minha? Sim, talvez estivesse errado, e eu estava, estava cego, meio difícil explicar, e você tinha razão, todos tinham razão, ela me machucou, fui imaturo de acreditar em uma pessoa e ver mentiras em outra. Estava magoado, não sei porque, me sentia inferior, e eu achava isso ruim, o problema é que eu ainda me sinto assim, e continua sendo ruim e estou muito mais magoado.
Desculpe, mas eu sinto falta das conversas profundas e engraçadas, com uma pitada de humor, sinto falta dos passeios, sinto sua falta. Meio clichê, e é muito, mas é verdade. Percebi, depois de muito tempo que não se desiste dos amigos, aprendi isso com pessoas que, antigamente, eu achava que nunca seriam tão amigas quanto são hoje, e eles são. E você também foi, nunca tive problema com você, talvez fosse ciúmes dela, talvez fosse maluquice minha, mas gostava de ter você do meu lado, e acho que ela via perigo nisso. Normal, eu acho, mas passa do normal quando inventa coisas para fazer você parecer culpada de uma coisa que, agora eu percebo, você não tem culpa.
Eu seu que falei muitas coisas, eu sei que parecia ser falso, mas é que eu estava chateado, faltava uma parte para completar e eu não achava. Quando te vi agora, pensei que não ia falar comigo, por ressentimento ou algo assim, mas vejo que pra você isso já passou, bom, pelo menos eu espero que sim. Só quero que você me perdoe por tudo, e eu realmente quero voltar aos velhos tempos, mas acho que essa parte é sonho, mas é bom sonhar, bom pensar que um dia iremos voltar a se falar como antes.
Antigamente você era uma grande companheira, mas sempre tenho que aceitar as mudanças, perder o passado, os contatos, não quero mais, não quero perder mais nada, e se for pra exigir algo, eu exijo somente lealdade, uma lealdade que se tornou prova para que eu visse o quão fieis são os meus amigos, e eles são, e eu me orgulho em dizer que eles são e disso não me arrependo.
Mas, enfim, me desculpe, não quero estragar sua noite, não estamos aqui para conversar essas coisas, só fiquei com esperança. 
Fiquei com a esperança de dizer isso tudo, mas só pude esboçar um sorriso de culpa, como se tivesse cometido um crime, como se tivesse em divida, e estou.
Mas o que me deixa mais triste é saber que eu desperdicei essa chance mais uma vez, e que talvez nunca mais voltemos a nos falar novamente e que você nunca leia isso, e o que vai me manter feliz é o restante da esperança que fará imaginar nossas futuras conversas.
Eu queria dizer isso tudo para você, mas é que ás vezes me faltam palavras, muitas palavras."

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vívido Orgulho

O poder da existência de quem vive
é o poder que recria a existência
a vida é um poder absoluto
e a existência é um dos seus motivos

Me mantenho tarde em pé,
olhando os bêbados passarem,
a multidão se recuperar
é a ressaca que vai chegar.

Perco a fé, perco amigos,
restauro a vida, a existência
que, por si só, faz a alegria
sentimento de grupo que faz viver

Mesmo que perca tudo
mesmo que me faça mudo
que fique cego
que perca a fé
não vou perder a Fé

Passo de bêbado,
o que já não é,
passa o pássaro
ele está em pé,
visão da janela,
ele está caído.
Sorrindo,
estridente orgulho da noite.

Orgulho único,
transparente,
orgulho de ter se emocionado.

Orgulho pobre,
indecente,
orgulho de ter sonhado.

Orgulho mutuo,
diligente,
orgulho de ter amado.

domingo, 10 de julho de 2011

Não é o fim de tudo

Se voltasse no tempo
Seria agora
Ninguém estava comigo
Ninguém estava
Alguém está
Está sentada no sofá

Não é o fim do mundo
Engula isso
Siga em frente
Como sempre seguiu
Como sempre foi
Como sempre vai ser

picadas
dentadas
mordidas
e
Abraços.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

No banco da escola

Olho o gosto do sentimento
Gosto de sentir o olhar
Mas esses olhares,
sentimentos,
gostos,
Não são meus.

Torno-me mutante desde que nasci
Nasci desde que me tornei mutante
Mas essa vida,
nascimentos,
desejos,
Nunca foram meus.

Viro falso, poeta e exato
Viro poeta, falso, exato
Viro falso exato poeta.
Mas essas poesias,
cálculos,
essas pessoas,
Não são minhas.

O que sou?
Sou o que não sou
O que sempre quero ser
Sou o eu para te agradar
Sou o eu para te fazer sofrer
Sou o eu para te discordar
Sou eu para viver.

domingo, 10 de outubro de 2010

Cego e Surdo

Ela olha para ele
a beleza está nas palavras
e com esse sentimento
ele se torna imortal

Ó coração leviano
que insiste em brincar
com seus sentimentos
e fazer sua cabeça

Um amor maior que tudo
Mas tudo acaba um dia
Como ela por ele

O amor continua
Sem problemas na mente
Mas um coração insano.

Não se vê verdade
Mas indecisão em suas palavras
Ele fala como se tivesse esquecido
Mas lá dentro há um aperto

Há indecisão entre os dois
Entre um cego e um surdo
Nada pode se ver nem se ouvir



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Na mesa do jantar

O Doutor me falou:
"Você está muito triste senhor"
O Doutor me avisou:
"Vire seu mundo para inibir essa dor"

O Doutor me falou
que quando escrevo
o mundo em mim
fica no breu

Não quero falar de amor
Não quero falar dela
Não quero falar de amor
Não vou mais falar dele

Cheguei a casa
Ouvi minha mãe chorando
Mãe, não fique triste, pensando comigo
Vou cantar uma canção pra ela

Aproveite o agora, aproveite seu filho,
Aproveite sua família,
quer ir jantar comigo?
Aproveite seu espaço
Sorria e me dê um abraço!
Porque essa noite você vai jantar comigo.

Mãe não fique triste, esqueça o que te aflige
Vou cantar até você melhorar.
Não gosta de cenoura? Não gosta de pimenta?
Tudo bem, eu preparo o jantar!

Mãe vou te levar ao Doutor,
uma lição ele me ensinou
e essa mesma eu vou te cantar!
Mãe isso não é tristeza,
é que está na hora de jantar!

Vamos comer juntos,
ali naquela esquina,
tem um restaurante!
Uma maravilha!

Mãe, estou com fome,
isso não é novidade,
para de chorar
eu quero é jantar!

Agora mãe, vou te explicar,
estou aqui com você
e sempre vou estar,
mas uma coisa te explico,
não é difícil entender,
se você jantar comigo,
eu vou te distrair,
e todos na mesa,
todos nós, vamos morrer de rir.
Então pare de chorar!

domingo, 19 de setembro de 2010

Deus no futebol

Eles chegaram ao colégio, o neto e seu avô juntos, passeando sem a ajuda de seus pais, exatamente como faziam antigamente, na cidade, no dia das crianças. Porém no colégio eles estavam, eles queriam estar. O neto acompanhou o avô, que com certa idade tinha dificuldades para andar, levou-o até a quadra onde de lá veria seu neto jogar.
- Estou torcendo por você - a idade não o deixava gritar muito alto, mas seu neto ouviu, sentiu.
- Obrigado! Vou ganhar pra você!
Não tinha habilidades para ganhar, não era o principal, mas estava ali, tinha aquilo ali naquela hora.
- Aquele ali é meu avô - os companheiros de time precisavam saber, aquela vergonha não existia, e isso enriqueceu a alma de seu avô, e começou a sorrir mais ainda.
O jogo começou e sua garra estava fazendo o time avançar, ocupava o jogo e a quadra totalmente e seu avô torcia. A bola então foi deixada sem querer no meio da quadra, e entre dois jogadores lá foi seu neto, escorregou a bola pra frente.
- Mostra pra eles! Você pode, pode sim! - a voz de seu avô tinha se normalizado.
O goleiro que vinha em sua direção recuou o corpo pra trás, e o chute foi decisivo.
Procurou sua namorada, deu um beijo nela, procurou seus companheiros de time e os agradeceu.
Olhou para cima.
- Pra você....

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Existência de Menino

Um menino, um menino normal, andava saltitando pelo corredor. Uma menina, uma menina bonita, parava de saltitar.
- Aonde você aprendeu isso? - Perguntara a menininha linda.
Ficou quieto, o frio chegou a sua barriga. "Deu um branco no meu estômago, ela falou comigo!". Nenhuma palavra foi pronunciada.
- Vamos brincar que estamos num trem!?- Ela deu a ideia.
- Que tal continuarmos a andar assim, juntos?
Ela respondeu que sim com gestos e enquanto andavam, pulavam, saltitando, como qualquer criança faz. Desceram uma rampa, encontraram a saída e seguiram em frente. Quando o menino, menino bonito, olhou para trás, a menina, menina normal, havia sumido.
O menino já um pouco crescido encontrou outra menina, menina essa que pegou seu coração.
- Mas... de quem mesmo você gosta? - Ela perguntara.
- Já falei, de você.
- Impossível, é brincadeira!
Com seu coração na mão, rejeitou-o e o jogou no chão. Ele tentou ignorar, fez os anos passarem, até encontrar, outra menina, menina essa desenvolvida, mas a atração era puro visual, nem mesmo a conhecia. Depois que dançou com ela num baile, simulou um tiro no coração, mas quem o ajudou foi outra menina, por quem se apaixonou.
- Você mentiu pra mim! - Ela retrucou.
- Não menti, só tive medo.
- Acho melhor esquecermos isso.
O menino, menino chateado, menino normal, esqueceu essa menina. Depois de esquecê-la, jurou junto a Deus não amar mais ninguém, para não se machucar mais.
Mais veio uma menina, menina triste, que se apegou ao menino e o menino no apego esqueceu-se de seguir o texto, e a menina se foi, porém voltou, descobrindo os dois que o sentimento não acabou.
- Não sei mais de nada. - Disse ela.
- E o que eu posso fazer?
- Me dê um abraço!
Menino que um dia foi criança, foi menino e que agora encara seu próprio adulto. Menino de várias faces, de várias dúvidas, de vários aprendizados e ideologias, menino que se espelha em busca do real, menino que acredita na mentira alheia, mas depois aprende de forma normal. Menino que sabia como cantar, mas não sabia assobiar, menino que tinha medo de ser, quando descobriu que era. Menino que acha que o amor é como um computador. Menino pra sempre, meu caro menino, você vai encarar nessa vida um outro menino achando que não é menino. Sua simplicidade menino é sempre saber que para sempre será menino.
E ele, menino encontrado, voltou a saltitar sem a conclusão do termo amar.

domingo, 25 de julho de 2010

Do carnaval a fidelidade

Pássaros cantando... Acabou de amanhecer um dia em que não dormi, mas não tem nada a ver com estar depressivo e pensativo, não dormi para me manter no horário certo. Agora só durmo hoje a noite bem cedo. Mas não vim falar da minha vida, nem de meus horários, isso é apenas uma introdução convidativa para ler a minha prosa, ou crônica poética (chame do que quiser) que vai vir a seguir.

Tentei acordar uma vez ao seu lado, mas não foi falha minha, tentei chegar a um objetivo, mas acabei por conservar os nós. Sorri por um momento, parei de sorrir. Sorri por outro momento, não consegui. Não tem nada a ver com tristeza e sim com lembranças. Disseram-me que águas passadas não movem moinhos, me disseram que era vento, não me disseram nada das lembranças, se elas movem moinhos ou não. Agora sei. Elas movem. Um mestre me disse uma vez, num consolo de carnaval, que aquele beijo, aquele corpo não seria mais encontrado, foi só um acerto repentino entre nós dois. O mesmo mestre também disse que o tempo que durar, se durou, foi infinito. Mestre, aquele beijo de carnaval repentino, durando o tempo que durou, se encontrando o tempo que encontrou, foi infinito.
A conclusão disso afinal é que uma vez ocorrido na vida, vira lembrança e virando lembrança torna-se infinito, pois durou um tempo e o tempo que durou vai se arrastar no tempo que está durando.
Águas passadas não movem moinho. Ventos passados não movem moinhos. Lembranças passadas são infinitas.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Nada! Faz sentido...

Cara, sei que pode achar estranho eu estar aqui falando coisas que nem eu sei se fazem sentido, mas vou falar, não sei se você acha a mesma coisa. É que eu estava pensando na vida, como tudo muda, como tudo é estranho. Não esperava estar aqui, não sabia que nada do que está acontecendo iria acontecer... Pensava que nunca ficaria com ela, pensava que nunca o meu nunca aconteceria, não sabia, não adivinharia, talvez não quisesse saber, ou talvez lá no fundo sabia... Mudei muito, meu jeito, minhas relações, mudei, ruim? bom? normal seria a palavra certa, aconteceu, é talvez seja até bom... algumas coisas realmente são.
Vejo você no passado, não acerto o futuro, mas queria acertar. Não, talvez a surpresa seja boa, como é bom saber que mudou... não acha?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Despedida antes da chegada

Cai na piscina... Alguém me jogou, me sentia feliz!
Sorri, em seguida, com uma máscara de mergulho você passou.
Olhava tudo de baixo d'água, você passando, olhando para mim,
seu sorriso abriu. Continuou a nadar e eu olhava para o céu.
As nuvens iam tapando o sol forte. Faltou-me o ar.
Subi para a superfície, senti a chuva forte se impor sobre o calor do verão.
O inverno havia chegado. Tudo deixou de existir.
Estava sem fôlego. Olhei para todos os lados.
Não havia ninguém, nadei para a borda.
Quanto mais eu nadava mais longe ficava.
Não conseguia sair dali. Cansei-me de nadar.
Cansei de sair da piscina. Fiquei ali. Parado.
Morri afogado, solitário, no meio do mar.
Tentando chegar em outro continente.
Tentando voltar a ver aquele sorriso.

domingo, 20 de junho de 2010

Congratulações

Eu fico feliz,
E outros?
O que você me diz?

Você chora enquanto vê o passado voltando,
eu continuo feliz.
Você se entristece vendo seus amigos lhe falando,
porém estou feliz.
Você ela gostando de outro alguém,
não estou triste,
mas estou feliz.

A música me orientou,
me trouxe de volta
e depois me levou.
Enquanto ficava por lá
tentei ajuda-los
fiz de tudo.

Não sei se te oriento,
mas uma coisa vejo,
meu avô sentado do meu lado,
olhando para mim,
dando um sorriso
e me falando assim:

Se te preocupas os amigos,
dizei a eles
que podem confiar
na confiança deles.

E para mim, que recado vou levar?
Continue dançando,
que você vai me encontrar.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Resposta

Diga o que você tem para dizer, mas não mostre o que você acha que eu quero mostrar, não quero mostrar isso, não sou isso.
Digo essas primeiras palavras para sintetizar o que chamo de direito de resposta. Não escrevi antes porque pensei ser inútil, aliás, é. Agora escrevo porque li, e quando li fiquei com raiva, mas a raiva passou, fiquei calmo e calmo resolvi falar, ou escrever.
Não sou eu! Entendeu? Esperou que sim.
Aliás se fosse, qual o problema? Tem uma grande diferença fazer porque quer e fazer porque não está a vontade naquele estado e de fato não estava. Tirei um peso quase que grandioso que vivia no meu ombro, me empurrando pra baixo, me sinto leve.
Mas não leve isso em consideração, não. Não precisa, não quero, não estou vivendo em função de ninguém, aliás, faço como posso para que as pessoas que vivem comigo viverem em função de mim. Acho que foi por isso que comecei com isso. Não me arrependo.

Mudando de assunto, a outra resposta:
Infelizmente hoje me sinto um monstro, que não devia ter feito isso, mas eu não estou falando do assunto anterior, estou falando de agora. Me agarrei a raiva e cometi um delito, agora estou preso, e não reclamo de estar assim, não quero mesmo que me vejam depois do que eu fiz.

sábado, 8 de maio de 2010

Monólogo da Depressão

[Entrada na cena]
Muito obrigado pelos aplausos, muito obrigado. [Tom Tímido]
É muito importante para mim estar aqui hoje, porque afinal vocês são meu primeiro público de verdade. Devo somente avisá-los que não sou bom ator, fui eu que escrevi essa peça e, sejamos sinceros, não sou bom autor também.
Não estou aqui para encenar uma apresentação longa, nem tão curta. O palco está vazio para representar a história que vou lhe contar em resumos, a história da minha vida. Deixe-me começar rapidamente pelo curso de teatro que eu fiz, um amigo meu me disse que esse tipo de peça tem um nome esquisito, mas que faz sentido, se não me engano é um Monólogo, o problema é que quando eu ouvi falar desse tipo de peça [Abaixa a cabeça e começa o tom depressivo] eu fiquei com receio, porque nunca fui bom em ser o centro das atenções, em ser o único para quem todos olham, nunca fui e ainda não sou.
Eu sempre quis ser ator e autor também, escrever minhas próprias peças, encená-las, sempre foi um sonho, mas sempre foi também um pesadelo. Quando criança imaginava o mundo todo olhando para mim em uma tela de cinema, mas infelizmente não tinha o dom de ser olhado. A primeira garota de quem gostei parecia também gostar de mim, eu era criança e quando me esqueci dela... Bom, eu achava que qualquer garota de quem eu gostasse poderia também gostar de mim, o engano foi o bastante para aprender que o final nem sempre é feliz, ou melhor, quase nunca. Também não sou bom em amar.
[Senta-se em uma cadeira]
A escola me trouxe momentos felizes e momentos tristes, mas sempre que eu me lembro dos momentos felizes de antigamente eu fico triste, só me sobra então momentos tristes. A escola era a razão de sair daquele lugar muito rápido, desculpe, não a escola, as pessoas de lá. Meus amigos estavam longe, meus colegas... Quem precisa de inimigos?
Graças a Deus isso mudou nos anos que antecederam o vestibular, fiz amigos, fiz sim![Sorri por um momento, mas imediatamente fica triste] Devo aproveitar para dizer também que não sou bom amigo, aliás, não os tenho mais, e os que eram distantes se distanciaram mais ainda. Quanto tempo leva o sonho? Três, cinco ou dez segundos? Para mim levam horas... Meses... Anos...
Não passei no vestibular, [Riso Irônico] você deve saber por que, entrei para um curso de teatro, não consegui manter, tive então aulas particulares e me deram essa oportunidade de mostrar meu talento.
Infelizmente [Abaixa novamente a cabeça] não estou mostrando-lhes nada.
Não tenho o que mostrar.
[Apagam-se as luzes]

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Preservativo

Um amigo meu sempre me diz que não se preocupa com o que não é seu. Ele diz que sua vida, apenas ela, já é um tanto quanto intensa para ele entrar nas outras.
- Como você lida com isso? É tão chato!
Ele olhou para mim, levantou as duas sobrancelhas, deu um sorriso meia boca e recostou-se na cadeira.
- Amigo, não sabia que fosse se preocupar com o que não é seu. Para não ter problemas e não se meter neles apenas fique quieto. Sua vida é difícil, eu sei, pois bem, junte-se a mim.
Pegou em cima da mesa um jornal, abriu-o na parte de esportes e relaxou ainda mais. Imaginei até que se tivesse com um cachimbo ficaria mais interessante. Sua proposta era irrecusável.
- A minha preocupação é, na verdade, se vamos ganhar amanhã.
Abaixei a cabeça, refleti um pouco. Pensei no amanhã, nos meus afazeres, nos trabalhos, nas vitórias, nos sonhos.
- Sim, nós vamos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cheguei a achar engraçado

Se esse é o único meio
posso lhe falar
não sou dono da verdade
não acho nada,
não sou nada.
Não quero que se armem,
não quero começar a guerrilha,
mas ela já começou,
e não foi culpa minha.
Eu debati,
mas não foi um debate.
Não houve resposta.
Não estou em combate.
E principalmente:
Não quero que me mate.
 
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