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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Angústia

Ela se deitou no meu peito enquanto observávamos o lado de fora da janela do carro. A chuva caía e a noite era escura somente com alguns postes acesos.
Beijei seu pescoço por diversas vezes e fazia carinho com um leve toque de mão.
"Você me desculpa?"
"Pelo o que?"
"Eu não gostava de você, mas agora me arrependo tanto. Quero ficar com você."
"Não dá! Não lembra que eu estou apaixonada por ele?!"
"Por favor, me desculpe, eu não sabia que ia me apaixonar por você."
"Você teve sua chance."


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Eleuterofobia

"Quem é o vilão?"
Todo dia acordava com um pensamento nada peculiar, o mesmo rondava a minha cabeça pelo dia inteiro. O destino me pós em mãos dois caminhos, por vezes foram mais que dois, e sempre tive que escolher. Normal.
Até aonde você iria por uma pessoa? Que escolhas faria por ela? Para chegar aonde cheguei precisei viver por mim mesmo, me libertar da necessidade de alguém.
Um dia, porém, acordei sem pensar em nada. Andei pela casa sentindo a vida, inspirando cada centímetro de bagunça, de poeira. Estava tudo sujo. Eu estava sujo. Olhei pela janela e vi o que nunca tinha visto: Uma vista maravilhosa, por entre concretos cinzentos, havia uma vista maravilhosa. E nada mais era vulgar.
"Hoje me livrarei dessa corrente!" Pensei.
Queria resolver problemas antigos, e fui sem peso na consciência. Não tem como agradar a todos e, normalmente, quando agrada a um, fere a outro. Nunca tive inimigos e nunca gostei de ter, pra mim eles não existem.
Saí na rua fazendo com que o mundo não me visse, era o dia de ser livre. Encontrei-me com algumas pessoas e arrumei minha vida. Ajeitei a bagunça.
Por que as pessoas não pensam iguais a mim?
A vida é muito complexa para problemas insignificantes, deixemos, por fim, a problemática de lado, pelo menos as que são sem sentido, as que não tem necessidade.
Eu estava bem comigo mesmo, me vangloriando por ser melhor do que eu podia e não só perdoar a outros, como perdoar a mim mesmo. Eu consegui me vencer, encontrar um eu de paz.
Como eu disse: As pessoas não pensam iguais a mim e é por isso que quando você agrada a um, você desagrada outro. Eu não tenho inimigo, não quero ter, e por isso ninguém vai ser o vilão para mim. Só para mim.
Se alguém me perguntar quem está errado eu não sei responder. E quem, afinal de contas, é o vilão?
Por não ter ficado preso, por ter criado minha própria liberdade, por não ter seguido a vida como "deveria", eu sou o vilão.
Eu construí essa destruição e vou ser o único que vai pagar por ela.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por Inteiro e pela história




Por quê? Por que se o tempo passa isso se chama nostalgia? O nome já passa um sentimento de doença... “Estou com nostalgia", então vá se tratar. Não vejo doença, vejo que posso ir e voltar, e mudar, mudar muito. Vejo que posso rir e falar: "essa foi boa", foi ótima! A impressão que um futuro vai chegar passa completamente despercebida pelos olhos ‘nostálgicos’ do tempo impresso. E se o tempo chega, da até vontade de dizer que foi ‘coincidência’, mas e se tiver sido destino? Por que teria sido destino?
O clima. O ar. Sinto-me dentro do ambiente novamente, sinto o peso da roupa pelo meu corpo, sinto vontade de ir, ir embora, arrumar a bagunça e falar: "já fiz tudo, viu?". O sentimento é de... Bom, receio que seja de algo próximo a paixão, paixão pela vida, paixão pelo que viveu e, também, uma enorme vontade de gritar para todos: "Eu vivi esse momento!", e acredite, eu vivi, e por isso gosto de voltar atrás e relembrar, não sou um museu, múmia, ou qualquer outra analogia as lembranças passadas, sou um apaixonado, apaixonado pela vida, apaixonado pelos momentos. Os momentos sim, eles que trazem alegria, mas trazem angustia. Angustia por quê? Angustia de quem viveu e sentiu necessidade de viver mais, viver mais aquele momento, um momento que está preso no passado, acabei, por fim dessa conclusão, descobrindo o real significado de nostalgia.
Mas não quero lembrar com nostalgia, ou melhor, não quero a nostalgia, uma doença, uma palavra ruim, feia. Que tal paixão? E se for amor? Prefere assim? Se for muito difícil tragar essas palavras, use apenas felicidade.
 
E se for ver com esses olhos, ser feliz é nada mais nada menos que descomplicar. Nada de complexidades. É difícil, e, sejamos realistas, o mundo não é assim, mas tente ser absolutamente imparcial, descomplicado.
Mas o que me deixa muito chateado é não poder prever o futuro, para comentar com um amigo: "Ei, adivinha o que vai acontecer", mas essa é a graça, no futuro iremos rir, sim, rir, de tudo. Ficaremos sempre magoados, sempre, mas podemos sempre rir, sempre.
Uma imagem que não apenas diz algumas palavras, mas conta uma história de uma vida toda, vivida até o momento e enquanto estiver vivendo.
Não acredito em nostalgia, acredito em paixão, a paixão que expresso um simples sorriso, a paixão que me lembra daquilo que eu sou, eu sou o que está aí e isso não pode ser tirado de mim, eu sou o que aconteceu, eu sou o agora e, por mais que seja diferente, serei o futuro.
E sempre carregarei essa paixão.


Thadeu Saieg
 

sábado, 22 de setembro de 2012

Monólogo da Separação

[Música calma começa a tocar]
[Entrada na cena] [Música para] [Entra olhando para cima]
Há uma coisa, uma pequena coisa, que não contei para vocês. [Olha para a plateia]
Obrigado pelos aplausos mais uma vez, muito obrigado mesmo. [Fala meio disperso]
Sim, voltando, há uma coisa que não falei para vocês: A vida muda, e a minha sempre mudou e de várias formas diferentes. Na maioria das vezes foi ruim. [Olha para baixo e solta um suspiro de cansaço]
Eu não sou bom em lidar com as mudanças e elas ocorrem o tempo todo e, ás vezes, sem você perceber.
Não é que tudo na minha vida dê errado, não estou falando isso. [Esfrega os olhos] É só que eu levo muito á sério coisas ruins.
[Senta-se numa cadeira]
Com licença, mas estou muito cansado, cansado demais para conseguir por os pensamentos em ordem, mas vou tentar.
[Encurva-se para a plateia]
Ultimamente tenho feito tanta coisa num só dia. Retomei minhas aulas de teatro, sou um dos melhores alunos da turma. Tenho qualidades, muito boas por sinal, tenho defeitos, quem não os tem? [Esboça um sorriso de canto] Aprendi muita coisa nesse meio tempo e nunca vou parar de aprender, teorias e práticas, profissional e pessoal. Sou uma nova pessoa, diferente, e sempre vou ser diferente!
[Recosta-se novamente na cadeira e olha para um ponto fixo com olhar vago no meio da plateia]
Eu tenho amigos, bons amigos e os faço em todo lugar, o engraçado é que escolho as pessoas certas, divergências acontecem, mas são as pessoas certas porque fazem parte do meu caminho, imagina se não fossem? Terrível!
[Abriu um sorriso em tom de alegria]
Escrevo minhas próprias peças e todos gostam delas, algumas pessoas não concordam, mas a maioria gosta, mesmo que seja para me agradar! Que mal tem isso? Eu gosto, me sinto bem.
Sou uma pessoa boa, não desejo o mal nem da pior pessoa do mundo, nem daqueles que me fizeram sofrer.
[O sorriso se desfaz]
Nem da pessoa que me fez sofrer. [Uma rápida pausa] Sabe, de todas as mudanças que já passei nunca achei que sofreria tanto, ou melhor, não podia saber que um dia sofreria tanto.
[Outra rápida pausa]
Como se pode desejar o mal da pessoa que amou? Nem que fosse a pior pessoa do mundo, e talvez seja.
O sofrimento faz parte, as mudanças fazem parte.
Não sou triste, sou uma pessoa feliz, com altos e baixos, sou feliz. [Abre novamente um sorriso] Vocês tem que ver como as coisas estão dando certo, para mim e para as pessoas em minha volta, que felicidade!
[Vagamente vai fechando o sorriso] [Olha novamente para um ponto fixo com olhar vago]
Mas é que quando tento lembrar do passado, mesmo de uma forma boa, com felicidade do que já foi bom, eu não consigo, eu consigo entender como, não consigo entender por que.
O sofrimento me ensinou a ser mais feliz, mas não me ensinou a esquecer.
[Fecham-se as cortinas]

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Existência de Menino

Um menino, um menino normal, andava saltitando pelo corredor. Uma menina, uma menina bonita, parava de saltitar.
- Aonde você aprendeu isso? - Perguntara a menininha linda.
Ficou quieto, o frio chegou a sua barriga. "Deu um branco no meu estômago, ela falou comigo!". Nenhuma palavra foi pronunciada.
- Vamos brincar que estamos num trem!?- Ela deu a ideia.
- Que tal continuarmos a andar assim, juntos?
Ela respondeu que sim com gestos e enquanto andavam, pulavam, saltitando, como qualquer criança faz. Desceram uma rampa, encontraram a saída e seguiram em frente. Quando o menino, menino bonito, olhou para trás, a menina, menina normal, havia sumido.
O menino já um pouco crescido encontrou outra menina, menina essa que pegou seu coração.
- Mas... de quem mesmo você gosta? - Ela perguntara.
- Já falei, de você.
- Impossível, é brincadeira!
Com seu coração na mão, rejeitou-o e o jogou no chão. Ele tentou ignorar, fez os anos passarem, até encontrar, outra menina, menina essa desenvolvida, mas a atração era puro visual, nem mesmo a conhecia. Depois que dançou com ela num baile, simulou um tiro no coração, mas quem o ajudou foi outra menina, por quem se apaixonou.
- Você mentiu pra mim! - Ela retrucou.
- Não menti, só tive medo.
- Acho melhor esquecermos isso.
O menino, menino chateado, menino normal, esqueceu essa menina. Depois de esquecê-la, jurou junto a Deus não amar mais ninguém, para não se machucar mais.
Mais veio uma menina, menina triste, que se apegou ao menino e o menino no apego esqueceu-se de seguir o texto, e a menina se foi, porém voltou, descobrindo os dois que o sentimento não acabou.
- Não sei mais de nada. - Disse ela.
- E o que eu posso fazer?
- Me dê um abraço!
Menino que um dia foi criança, foi menino e que agora encara seu próprio adulto. Menino de várias faces, de várias dúvidas, de vários aprendizados e ideologias, menino que se espelha em busca do real, menino que acredita na mentira alheia, mas depois aprende de forma normal. Menino que sabia como cantar, mas não sabia assobiar, menino que tinha medo de ser, quando descobriu que era. Menino que acha que o amor é como um computador. Menino pra sempre, meu caro menino, você vai encarar nessa vida um outro menino achando que não é menino. Sua simplicidade menino é sempre saber que para sempre será menino.
E ele, menino encontrado, voltou a saltitar sem a conclusão do termo amar.

domingo, 25 de julho de 2010

Do carnaval a fidelidade

Pássaros cantando... Acabou de amanhecer um dia em que não dormi, mas não tem nada a ver com estar depressivo e pensativo, não dormi para me manter no horário certo. Agora só durmo hoje a noite bem cedo. Mas não vim falar da minha vida, nem de meus horários, isso é apenas uma introdução convidativa para ler a minha prosa, ou crônica poética (chame do que quiser) que vai vir a seguir.

Tentei acordar uma vez ao seu lado, mas não foi falha minha, tentei chegar a um objetivo, mas acabei por conservar os nós. Sorri por um momento, parei de sorrir. Sorri por outro momento, não consegui. Não tem nada a ver com tristeza e sim com lembranças. Disseram-me que águas passadas não movem moinhos, me disseram que era vento, não me disseram nada das lembranças, se elas movem moinhos ou não. Agora sei. Elas movem. Um mestre me disse uma vez, num consolo de carnaval, que aquele beijo, aquele corpo não seria mais encontrado, foi só um acerto repentino entre nós dois. O mesmo mestre também disse que o tempo que durar, se durou, foi infinito. Mestre, aquele beijo de carnaval repentino, durando o tempo que durou, se encontrando o tempo que encontrou, foi infinito.
A conclusão disso afinal é que uma vez ocorrido na vida, vira lembrança e virando lembrança torna-se infinito, pois durou um tempo e o tempo que durou vai se arrastar no tempo que está durando.
Águas passadas não movem moinho. Ventos passados não movem moinhos. Lembranças passadas são infinitas.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Você me ouve?

Tem medo. Voar sobre mistérios imaginados, brutos, pesados como gota de orvalho na folha da árvore. Entregar sua seiva saudável é quase pecado, aquele que diz te ouvir ao som do coração, te vê em cada raio ardente de sol, te deseja em cada dia existente nesse dependente lugar, te diz as simples palavras, porém imaginadas com amor. Você tem medo. Você não quer acreditar que esse passado já se foi. Por que está indo junto com ele? Sua dúvida é cruel, seu amor, incontestável, sua prática é absurda e seus desejos, dispensáveis. Vendo traumatizar a vida em torno do que espera, mas quando alcança jamais se satisfaz. É nele que se encontra o desejo, é nele que se encontra a vontade. Se sente bem quando se aproxima. E eu errado estou seguindo passos e imaginando futuros quase incertos como um tiro na multidão. Um palpitar de emoções, escândalos emocionais. Meus desejos aumentaram, seus desejos não criaram motivos para permanência. Brilhantes olhos que me seguem a noite, junto com você em meus sonhos, acabam encontrando uma verdade. Agora são meus olhos, eles encontram mentiras, dúvidas e arrependimentos indiretos. Retorno a pesquisa para esclarecimento e encontro todo o amor mais belo do mundo somente para uma pessoa. Percebo que estou errado, apenas mais uma vez.



"Sinto insegurança quando estou seguro"

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Um revolucionário conservador

Chega a ser extressante falar de coisas ruins e péssimas poeticamente, falar das coisas é legal, dar minha opinião sincera, principalmente quando vem do coração, chega a ser algo profundo, mas na vida coisas boas se escondem, e hoje resolvi procurar por elas em todos os mínimos cantos.

Vou seguir um conselho amigável do meu biscoito da sorte e ser claro como água suja. Segue abaixo o que está no papel, nos papeis no caso, porque comi dois biscoitos da sorte:

  1. Conquiste uma clareza suave através da docilidade, encontrando seu lugar no mundo.
  2. Um pequeno vazamento eventualmente afundará um grande navio.

Não entendi nenhum dos dois, talvez um pouco do segundo, mas não entendi.

Só sei que vou ser claro agora:

Posso pensar em possibilidades de escolha, mas escolher ser feliz é difícil, temos que sentir a felicidade, mas não consigo sentir isso, parece que voltei ao ponto zero, que agora vai tudo acontecer de novo, desde meu nascimento. Tenho que aprender a falar, a andar, a escrever e a ler, tudo de novo. Não entende do que eu falo? Simples! Não parece que as coisas que passaram realmente aconteceram, na verdade parece mais um sonho. As coisas passam, eu esqueço.

Agora por exemplo acabei de escrever uma coisa triste.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Mensagem ao passageiro

Tem coisas na vida que eu acho que são muito interessantes...
Eu entrei no ónibus correndo direto de uma ladeira, tinha que ser rápido se não o próximo ónibus sabe Deus quando iria passar, e também já estava atrasado para meu curso de música. Entrei com um visual de maratonista e sentei perto da janela, como sempre faço para matutar enquanto não chego ao meu destino. No caminho eu ia pensando em como os motoristas não se preocupam nada com as ladeiras e vão a 100 por hora, quando de uma freiada brusca eu já sabia que já tinha chegado no plano e ali mais a frente o ónibus parava a frente de um tribunal, que eu com minha pequena, mas grande, experiência de vida, sabia que era o tribunal da justiça do trabalho, e enquanto passageiros naquele ponto estavam subindo eu observava o tribunal.
Enquanto no vazio de minha mente confabulava comigo mesmo sobre a expectativa de meus sonhos, um senhor de idade de terno e cheio de pastas na mão sentava ao meu lado e reparava que eu estava com o olhar perdido para o tribunal.
"Você sabe o que é isso meu jovem?" A perguntava estava solta e eu demorei a responder, pois fui pego de surpresa com uma pergunta tão inesperada de uma pessoa tão inesperada.
"Errrr..." Não deu tempo de responder qualquer coisa e ele já falava.
"Esse é o Tribunal de Justiça do Trabalho..." Ele olhou para frente e após alguns segundos voltou a conversar comigo. "Aí dentro o trabalhador que não tem seus direitos processa o patrão." Voltou a olhar para frente e continuou a falar com uma voz cansada. "Quando o patrão não assina a carteira de trabalho, esse tipo de coisa... aí aí, como mudou muito isso tudo..."
"Como assim?" Tive a chance de falar algo, mais para ser educado e mostrar que eu estava atento ao que ele dizia.
"Ah como era bom andar pelo Rio sem precisar prestar atenção na pessoa que está ao lado com medo de ser roubado." Ele parecia sozinho em seu olhar, como se estivesse falando para ele mesmo. "Sabe rapaz, temos que aproveitar cada momento de nossa vida e o mais importante agora na sua idade é estudar... Na minha época as escolas públicas eram uma maravilha!" Parou, olhou para mim e continuou. "O ensino era muito melhor! E eu peguei a época que quando o professor entrava em sala todos os alunos se levantavam em sinal de respeito e ai de quem desrespeitasse o professor!" Falou explicativo, como se estivesse me dando uma lição de moral, e na verdade estava.
Chegava ao meu destino e eu pensava nas palavras dele.
"Salto aqui." Falei para não ser grosseiro, mas ele já tinha terminado e estava olhando para frente pensativo.
"Tchau meu jovem e..." Demorou um pouco perdendo o olhar por alguns segundos, olhou para mim e sorriu. "Boa sorte!"
 
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