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sábado, 22 de setembro de 2012

Monólogo da Separação

[Música calma começa a tocar]
[Entrada na cena] [Música para] [Entra olhando para cima]
Há uma coisa, uma pequena coisa, que não contei para vocês. [Olha para a plateia]
Obrigado pelos aplausos mais uma vez, muito obrigado mesmo. [Fala meio disperso]
Sim, voltando, há uma coisa que não falei para vocês: A vida muda, e a minha sempre mudou e de várias formas diferentes. Na maioria das vezes foi ruim. [Olha para baixo e solta um suspiro de cansaço]
Eu não sou bom em lidar com as mudanças e elas ocorrem o tempo todo e, ás vezes, sem você perceber.
Não é que tudo na minha vida dê errado, não estou falando isso. [Esfrega os olhos] É só que eu levo muito á sério coisas ruins.
[Senta-se numa cadeira]
Com licença, mas estou muito cansado, cansado demais para conseguir por os pensamentos em ordem, mas vou tentar.
[Encurva-se para a plateia]
Ultimamente tenho feito tanta coisa num só dia. Retomei minhas aulas de teatro, sou um dos melhores alunos da turma. Tenho qualidades, muito boas por sinal, tenho defeitos, quem não os tem? [Esboça um sorriso de canto] Aprendi muita coisa nesse meio tempo e nunca vou parar de aprender, teorias e práticas, profissional e pessoal. Sou uma nova pessoa, diferente, e sempre vou ser diferente!
[Recosta-se novamente na cadeira e olha para um ponto fixo com olhar vago no meio da plateia]
Eu tenho amigos, bons amigos e os faço em todo lugar, o engraçado é que escolho as pessoas certas, divergências acontecem, mas são as pessoas certas porque fazem parte do meu caminho, imagina se não fossem? Terrível!
[Abriu um sorriso em tom de alegria]
Escrevo minhas próprias peças e todos gostam delas, algumas pessoas não concordam, mas a maioria gosta, mesmo que seja para me agradar! Que mal tem isso? Eu gosto, me sinto bem.
Sou uma pessoa boa, não desejo o mal nem da pior pessoa do mundo, nem daqueles que me fizeram sofrer.
[O sorriso se desfaz]
Nem da pessoa que me fez sofrer. [Uma rápida pausa] Sabe, de todas as mudanças que já passei nunca achei que sofreria tanto, ou melhor, não podia saber que um dia sofreria tanto.
[Outra rápida pausa]
Como se pode desejar o mal da pessoa que amou? Nem que fosse a pior pessoa do mundo, e talvez seja.
O sofrimento faz parte, as mudanças fazem parte.
Não sou triste, sou uma pessoa feliz, com altos e baixos, sou feliz. [Abre novamente um sorriso] Vocês tem que ver como as coisas estão dando certo, para mim e para as pessoas em minha volta, que felicidade!
[Vagamente vai fechando o sorriso] [Olha novamente para um ponto fixo com olhar vago]
Mas é que quando tento lembrar do passado, mesmo de uma forma boa, com felicidade do que já foi bom, eu não consigo, eu consigo entender como, não consigo entender por que.
O sofrimento me ensinou a ser mais feliz, mas não me ensinou a esquecer.
[Fecham-se as cortinas]

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ás vezes faltam palavras

"Oi, quanto tempo..."
"Oi... é verdade...
Sabe, tem muitas coisas que gostaria de dizer agora, coisas que me fazem pensar e me fazem triste, mas ao mesmo tempo feliz que estou falando, finalmente irei dizer o que sinto, num lugar tão inusitado. Me perdoe se você não quiser ouvir, me perdoe se agora não é a hora devida e que talvez eu devesse falar em uma outra oportunidade, mas talvez seja a última vez que irei te ver, talvez não tenha uma segunda chance e eu, como você bem já sabe, já desperdicei muitas chances até agora. Não posso mais, vou falar, tem que ser agora.
Me desculpe, me desculpe por tudo, desde que eu abandonei o que era pra você uma amizade até o dia em que desisti dela, nunca fui bom de correr atrás do que eu perdi, sempre abaixo a cabeça, e a culpa foi minha? Sim, talvez estivesse errado, e eu estava, estava cego, meio difícil explicar, e você tinha razão, todos tinham razão, ela me machucou, fui imaturo de acreditar em uma pessoa e ver mentiras em outra. Estava magoado, não sei porque, me sentia inferior, e eu achava isso ruim, o problema é que eu ainda me sinto assim, e continua sendo ruim e estou muito mais magoado.
Desculpe, mas eu sinto falta das conversas profundas e engraçadas, com uma pitada de humor, sinto falta dos passeios, sinto sua falta. Meio clichê, e é muito, mas é verdade. Percebi, depois de muito tempo que não se desiste dos amigos, aprendi isso com pessoas que, antigamente, eu achava que nunca seriam tão amigas quanto são hoje, e eles são. E você também foi, nunca tive problema com você, talvez fosse ciúmes dela, talvez fosse maluquice minha, mas gostava de ter você do meu lado, e acho que ela via perigo nisso. Normal, eu acho, mas passa do normal quando inventa coisas para fazer você parecer culpada de uma coisa que, agora eu percebo, você não tem culpa.
Eu seu que falei muitas coisas, eu sei que parecia ser falso, mas é que eu estava chateado, faltava uma parte para completar e eu não achava. Quando te vi agora, pensei que não ia falar comigo, por ressentimento ou algo assim, mas vejo que pra você isso já passou, bom, pelo menos eu espero que sim. Só quero que você me perdoe por tudo, e eu realmente quero voltar aos velhos tempos, mas acho que essa parte é sonho, mas é bom sonhar, bom pensar que um dia iremos voltar a se falar como antes.
Antigamente você era uma grande companheira, mas sempre tenho que aceitar as mudanças, perder o passado, os contatos, não quero mais, não quero perder mais nada, e se for pra exigir algo, eu exijo somente lealdade, uma lealdade que se tornou prova para que eu visse o quão fieis são os meus amigos, e eles são, e eu me orgulho em dizer que eles são e disso não me arrependo.
Mas, enfim, me desculpe, não quero estragar sua noite, não estamos aqui para conversar essas coisas, só fiquei com esperança. 
Fiquei com a esperança de dizer isso tudo, mas só pude esboçar um sorriso de culpa, como se tivesse cometido um crime, como se tivesse em divida, e estou.
Mas o que me deixa mais triste é saber que eu desperdicei essa chance mais uma vez, e que talvez nunca mais voltemos a nos falar novamente e que você nunca leia isso, e o que vai me manter feliz é o restante da esperança que fará imaginar nossas futuras conversas.
Eu queria dizer isso tudo para você, mas é que ás vezes me faltam palavras, muitas palavras."

domingo, 12 de agosto de 2012

Fluxo da vida

O ar passa pelo meu pulmão, sinto o pulso.
O que aconteceu com o mundo? É normal. Mudou, mudou para melhor, o melhor normal. Não mudou. Nunca mudou, sou o mesmo. Eu mudei, lembro-me das cores, dos cheiros, lembro do arrepio. O arrepio é de frio. Calafrio que faz lembrar de momentos que não voltaram. Siga em frente, não erre, não posso errar. Entro na cabeça de outra pessoa. Sou outra pessoa. Não vejo sentido nisso, mas são dois. Duas mãos, se encostam, vejo o que me fazia sorrir, vejo o que me faz sofrer. Detesto esse sentimento vazio de que tudo foi embora tão facilmente, com a mesma facilidade e leveza de um beijo registrado no teor disso tudo. Mudei para me refazer, para me piorar, e a loucura toma conta de mim. Não é mais raiva por amor que foi desperdiçado, não é mais raiva por amor que nunca fui amado. É raiva, simples e pura, como quem não quer perder, como quem não joga para não perder e não procura ganhar. Não quero ganhar, quero viver. Simplicidade pra mim não se mistura com o jogo, mas se mistura. Para ser livre, você tem que ganhar, tem que ser melhor, melhor do que eu nunca fui. E eu nunca fui amado. Burrice. Minhas palavras não perdoam. Não se lembram. Mas, ninguém nunca se lembra, ninguém liga para o passado. Ninguém liga para história. E a nossa história? Não interessa. O passado me mostra coisas que eu não queria ver, eu ainda não quero ver. Perco o presente. Perco no passado. Não sou mais o eu que costumava ser. O ser que costumava no eu. Ele ainda sofre. Ainda quero entender, por quê? Se acreditaram em mim. Faltava-me o ar. Era por você. Jamais será. Não sinto confiança. Cansei de ser especial para outros, serei especial para mim. Esse que acreditaram, esse que ouviram. Eu não desejo. Simples desejo do corpo. Não pude me encontrar em você. Engano. Eu calo, não percebo, escrevo, mas não leio. Eu puxo e ele volta. Eu destruo e ela está morta.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tudo Fica Bem Quando Acaba Bem

Mentira, o passado nos move em uma lembrança sem graça de como é a vida.
Tinha sonhos e nele me via como coadjuvante, sendo que, na realidade, era o ator principal. Nos meus sonhos, largava amores por amores.
"Nunca foi uma relação normal". Pensar nas possibilidades de se construir uma família. Minha irmã iria entender. Meu amigo iria entender.
Deixei sem querer pessoas magoadas e a culpa não foi minha. Acreditaram no meu amor, até perceberem que o perfeito também tem falhas.
"Eu não amava". Vivo pensando em outras possibilidades, outras pessoas, mas, ás vezes, não confio nem em mim.
Invento coisas, mas não sei como funcionam, não sei criar. Imagino lembranças. Nada fica bem se acaba bem, porque as lembranças ficam até o fim.

domingo, 10 de julho de 2011

Não é o fim de tudo

Se voltasse no tempo
Seria agora
Ninguém estava comigo
Ninguém estava
Alguém está
Está sentada no sofá

Não é o fim do mundo
Engula isso
Siga em frente
Como sempre seguiu
Como sempre foi
Como sempre vai ser

picadas
dentadas
mordidas
e
Abraços.

domingo, 19 de setembro de 2010

Deus no futebol

Eles chegaram ao colégio, o neto e seu avô juntos, passeando sem a ajuda de seus pais, exatamente como faziam antigamente, na cidade, no dia das crianças. Porém no colégio eles estavam, eles queriam estar. O neto acompanhou o avô, que com certa idade tinha dificuldades para andar, levou-o até a quadra onde de lá veria seu neto jogar.
- Estou torcendo por você - a idade não o deixava gritar muito alto, mas seu neto ouviu, sentiu.
- Obrigado! Vou ganhar pra você!
Não tinha habilidades para ganhar, não era o principal, mas estava ali, tinha aquilo ali naquela hora.
- Aquele ali é meu avô - os companheiros de time precisavam saber, aquela vergonha não existia, e isso enriqueceu a alma de seu avô, e começou a sorrir mais ainda.
O jogo começou e sua garra estava fazendo o time avançar, ocupava o jogo e a quadra totalmente e seu avô torcia. A bola então foi deixada sem querer no meio da quadra, e entre dois jogadores lá foi seu neto, escorregou a bola pra frente.
- Mostra pra eles! Você pode, pode sim! - a voz de seu avô tinha se normalizado.
O goleiro que vinha em sua direção recuou o corpo pra trás, e o chute foi decisivo.
Procurou sua namorada, deu um beijo nela, procurou seus companheiros de time e os agradeceu.
Olhou para cima.
- Pra você....

domingo, 22 de agosto de 2010

No Restaurante

Diante do mar eu não vejo nada. Me falaram que essa fase era normal... Não ver nada no mar e quando ver, fingir que não viu. Mas eu realmente não enxergo o mar, parece que lá na frente não há um continente, sim uma cachoeira, uma cachoeira que se perde no infinito, como os antigos acreditavam antes de explorar o mar, tinham medo. É basicamente a história da vida de qualquer ser humano: O medo de explorar o mar, mas quando explorado descobrir riquezas. Mas não vejo nada no mar.
Tem vezes que eu acho que não vou conseguir atravessa-lo, tem vezes que sinto que nunca irei chegar lá, vou permanecer aqui para sempre....
"Medo de crescer pai? acho que não, acho que não..."

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Serenata

Tirei do saco a viola
viola pra eu cantar
tira da minha viola
um espaço no seu lar

Tirei da viola uma nota
nota vida passageira
que se tira dessa nota
pouca vida, uma besteira

Tirei da nota uma música
pela música e pelo canto
que tirando pela música
tira também o espanto

E da música dancei
e dela nada tirei
não parei de dançar
até a vida se acabar

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Nada! Faz sentido...

Cara, sei que pode achar estranho eu estar aqui falando coisas que nem eu sei se fazem sentido, mas vou falar, não sei se você acha a mesma coisa. É que eu estava pensando na vida, como tudo muda, como tudo é estranho. Não esperava estar aqui, não sabia que nada do que está acontecendo iria acontecer... Pensava que nunca ficaria com ela, pensava que nunca o meu nunca aconteceria, não sabia, não adivinharia, talvez não quisesse saber, ou talvez lá no fundo sabia... Mudei muito, meu jeito, minhas relações, mudei, ruim? bom? normal seria a palavra certa, aconteceu, é talvez seja até bom... algumas coisas realmente são.
Vejo você no passado, não acerto o futuro, mas queria acertar. Não, talvez a surpresa seja boa, como é bom saber que mudou... não acha?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Despedida antes da chegada

Cai na piscina... Alguém me jogou, me sentia feliz!
Sorri, em seguida, com uma máscara de mergulho você passou.
Olhava tudo de baixo d'água, você passando, olhando para mim,
seu sorriso abriu. Continuou a nadar e eu olhava para o céu.
As nuvens iam tapando o sol forte. Faltou-me o ar.
Subi para a superfície, senti a chuva forte se impor sobre o calor do verão.
O inverno havia chegado. Tudo deixou de existir.
Estava sem fôlego. Olhei para todos os lados.
Não havia ninguém, nadei para a borda.
Quanto mais eu nadava mais longe ficava.
Não conseguia sair dali. Cansei-me de nadar.
Cansei de sair da piscina. Fiquei ali. Parado.
Morri afogado, solitário, no meio do mar.
Tentando chegar em outro continente.
Tentando voltar a ver aquele sorriso.

domingo, 20 de junho de 2010

Congratulações

Eu fico feliz,
E outros?
O que você me diz?

Você chora enquanto vê o passado voltando,
eu continuo feliz.
Você se entristece vendo seus amigos lhe falando,
porém estou feliz.
Você ela gostando de outro alguém,
não estou triste,
mas estou feliz.

A música me orientou,
me trouxe de volta
e depois me levou.
Enquanto ficava por lá
tentei ajuda-los
fiz de tudo.

Não sei se te oriento,
mas uma coisa vejo,
meu avô sentado do meu lado,
olhando para mim,
dando um sorriso
e me falando assim:

Se te preocupas os amigos,
dizei a eles
que podem confiar
na confiança deles.

E para mim, que recado vou levar?
Continue dançando,
que você vai me encontrar.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Resposta

Diga o que você tem para dizer, mas não mostre o que você acha que eu quero mostrar, não quero mostrar isso, não sou isso.
Digo essas primeiras palavras para sintetizar o que chamo de direito de resposta. Não escrevi antes porque pensei ser inútil, aliás, é. Agora escrevo porque li, e quando li fiquei com raiva, mas a raiva passou, fiquei calmo e calmo resolvi falar, ou escrever.
Não sou eu! Entendeu? Esperou que sim.
Aliás se fosse, qual o problema? Tem uma grande diferença fazer porque quer e fazer porque não está a vontade naquele estado e de fato não estava. Tirei um peso quase que grandioso que vivia no meu ombro, me empurrando pra baixo, me sinto leve.
Mas não leve isso em consideração, não. Não precisa, não quero, não estou vivendo em função de ninguém, aliás, faço como posso para que as pessoas que vivem comigo viverem em função de mim. Acho que foi por isso que comecei com isso. Não me arrependo.

Mudando de assunto, a outra resposta:
Infelizmente hoje me sinto um monstro, que não devia ter feito isso, mas eu não estou falando do assunto anterior, estou falando de agora. Me agarrei a raiva e cometi um delito, agora estou preso, e não reclamo de estar assim, não quero mesmo que me vejam depois do que eu fiz.

sábado, 8 de maio de 2010

Monólogo da Depressão

[Entrada na cena]
Muito obrigado pelos aplausos, muito obrigado. [Tom Tímido]
É muito importante para mim estar aqui hoje, porque afinal vocês são meu primeiro público de verdade. Devo somente avisá-los que não sou bom ator, fui eu que escrevi essa peça e, sejamos sinceros, não sou bom autor também.
Não estou aqui para encenar uma apresentação longa, nem tão curta. O palco está vazio para representar a história que vou lhe contar em resumos, a história da minha vida. Deixe-me começar rapidamente pelo curso de teatro que eu fiz, um amigo meu me disse que esse tipo de peça tem um nome esquisito, mas que faz sentido, se não me engano é um Monólogo, o problema é que quando eu ouvi falar desse tipo de peça [Abaixa a cabeça e começa o tom depressivo] eu fiquei com receio, porque nunca fui bom em ser o centro das atenções, em ser o único para quem todos olham, nunca fui e ainda não sou.
Eu sempre quis ser ator e autor também, escrever minhas próprias peças, encená-las, sempre foi um sonho, mas sempre foi também um pesadelo. Quando criança imaginava o mundo todo olhando para mim em uma tela de cinema, mas infelizmente não tinha o dom de ser olhado. A primeira garota de quem gostei parecia também gostar de mim, eu era criança e quando me esqueci dela... Bom, eu achava que qualquer garota de quem eu gostasse poderia também gostar de mim, o engano foi o bastante para aprender que o final nem sempre é feliz, ou melhor, quase nunca. Também não sou bom em amar.
[Senta-se em uma cadeira]
A escola me trouxe momentos felizes e momentos tristes, mas sempre que eu me lembro dos momentos felizes de antigamente eu fico triste, só me sobra então momentos tristes. A escola era a razão de sair daquele lugar muito rápido, desculpe, não a escola, as pessoas de lá. Meus amigos estavam longe, meus colegas... Quem precisa de inimigos?
Graças a Deus isso mudou nos anos que antecederam o vestibular, fiz amigos, fiz sim![Sorri por um momento, mas imediatamente fica triste] Devo aproveitar para dizer também que não sou bom amigo, aliás, não os tenho mais, e os que eram distantes se distanciaram mais ainda. Quanto tempo leva o sonho? Três, cinco ou dez segundos? Para mim levam horas... Meses... Anos...
Não passei no vestibular, [Riso Irônico] você deve saber por que, entrei para um curso de teatro, não consegui manter, tive então aulas particulares e me deram essa oportunidade de mostrar meu talento.
Infelizmente [Abaixa novamente a cabeça] não estou mostrando-lhes nada.
Não tenho o que mostrar.
[Apagam-se as luzes]

sábado, 3 de abril de 2010

Meus oito anos - Casimiro de Abreu

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Praia do sudoeste



- Olá! Bom vê-lo novamente, como você está?
- Com saudades, precisamos sempre de um reencontro.
- Como vai todo mundo?
- Todos estão tristes.
- Isso é ruim, diga a todos que faz parte.
- Acho que eles já sabem disso, só não conseguem aceitar muito bem.
- Lembra desse lugar? Bonito e calmo, nunca perdeu seu brilho.
- Lembro, faz muito tempo, mas eu lembro, a água sempre raza, as coisas eram boas aqui, foram boas, me disseram que esse lugar virou um Heliporto.
- Verdade, isso é uma pena, a melhor obra natural que eu já vi na minha vida, muito melhor daqueles que fui acostumado a ver todos os dias.
- Mas, por que esse lugar?
- Não somos diferentes, você sabe, mas esse lugar lembra a nossa união, quando todos ficavamos um do lado do outro, não porque eramos obrigados e sim porque nos divertiamos, as coisas foram mudando, pessoas saindo e pessoas entrando, agora ninguém olha diretamente para os olhos de ninguém. Isso não é bom.
- Você estava errado.
- Falamos coisas sem pensar, falamos coisas para impressionar. Mas depois vemos o que é o certo.
- Vou sentir saudades.
- Obrigado por rezar por mim, mesmo quando muitos não tinham esperanças, você tinha a certeza, também vou sentir saudades e diga a todos que mandei lembranças. Nunca esqueça desse lugar, não me coloque só em lembranças, me guarde no coração.

Adeus.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sétimo Dia

Acabou tudo o que era para ficar.
Morreu tudo que era para permanecer vivo.
Foi embora, era para ficar aqui.
Meu lado vazio.
Minha mente aberta.
Meu lado continua vazio.
Tenho tudo o que você tem.
Menos tudo que eu não tenho.
Esse tudo foi embora, tiraram de mim.
Sinto falta do que não posso mais ter, sonho com um reencontro, ainda sonho que está vivo, que vai acordar.
Sonho que não estou apenas sonhando e que choro de emoção vendo sua recuperação.
Mas não aqui ao meu lado.
Não comigo.
Sou um ponto.
Ponto frágil de emoção.
Não queria ser o monstro.
Queria te ver no céu.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Em direção ao Paraíso

O céu estava branco
Branco claro vibrante
Ele estava no banco
Um cinza delirante

Ao caminhar pela estrada
Achou que era o fim
A vida estava desordenada
Vinha pra perto de mim

Sem saber o que fazer
Com a vida assim
Resolver se estender
Mais pra perto de mim

Sem eu perceber tudo
Fui chamado para perto
Ele estava mudo
E eu o encontrava no deserto

terça-feira, 11 de agosto de 2009

No avião

Sorri para você,
estava tão linda.
Você retribuiu o sorriso,
estávamos na mesma direção.

Tentei falar palavras bonitas,
mas você olhava para o lado,
prestando atenção no que não era eu.
Tentei esperar,
mas você não parou de olhar.

Você estava vendo o seu destino,
sua vida passando,
sua vida partindo,
vendo o destino.
Pensando nele.

Fiquei triste,
você me disse algo,
mas os ouvidos,
eles só ouviam um simples som,
do bater acelerado do meu coração.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Para sempre

Quase, que, para sempre, se tornou,
Quase eternamente ficou,
Eu que fiquei aqui,
queria também partir.

A contagem na esperança,
os dias passaram e deixaram a herança,
De anos que me deixaram feliz,
agora tudo está por um triz.

Para sempre seremos,
verdadeiros irmãos.
Para sempre esperar,
a nossa reunião.

Não acabou aqui.

domingo, 26 de julho de 2009

Conversas com o Tempo

O tempo afasta as pessoas, mas também junta elas, o tempo ensina, o tempo te faz refletir, o tempo te ajuda, mas te tortura ao modo que o tempo é suficientemente ruim para quem espera uma grande coisa. O tempo cura, às vezes cura o que ele mesmo implantou saudades, decepções, mas o tempo te dá chances. Enquanto o tempo passa, as pessoas crescem, sofrem, mas sofrendo vêem que não precisou sofrer o tempo que estava sofrendo. O tempo é magnífico, o tempo me ajudou. O tempo tende a me ajudar. Vou correr atrás das coisas que eu quero o tempo que for necessário. Meu amigo, meu inimigo, o tempo.
 
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