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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por Inteiro e pela história




Por quê? Por que se o tempo passa isso se chama nostalgia? O nome já passa um sentimento de doença... “Estou com nostalgia", então vá se tratar. Não vejo doença, vejo que posso ir e voltar, e mudar, mudar muito. Vejo que posso rir e falar: "essa foi boa", foi ótima! A impressão que um futuro vai chegar passa completamente despercebida pelos olhos ‘nostálgicos’ do tempo impresso. E se o tempo chega, da até vontade de dizer que foi ‘coincidência’, mas e se tiver sido destino? Por que teria sido destino?
O clima. O ar. Sinto-me dentro do ambiente novamente, sinto o peso da roupa pelo meu corpo, sinto vontade de ir, ir embora, arrumar a bagunça e falar: "já fiz tudo, viu?". O sentimento é de... Bom, receio que seja de algo próximo a paixão, paixão pela vida, paixão pelo que viveu e, também, uma enorme vontade de gritar para todos: "Eu vivi esse momento!", e acredite, eu vivi, e por isso gosto de voltar atrás e relembrar, não sou um museu, múmia, ou qualquer outra analogia as lembranças passadas, sou um apaixonado, apaixonado pela vida, apaixonado pelos momentos. Os momentos sim, eles que trazem alegria, mas trazem angustia. Angustia por quê? Angustia de quem viveu e sentiu necessidade de viver mais, viver mais aquele momento, um momento que está preso no passado, acabei, por fim dessa conclusão, descobrindo o real significado de nostalgia.
Mas não quero lembrar com nostalgia, ou melhor, não quero a nostalgia, uma doença, uma palavra ruim, feia. Que tal paixão? E se for amor? Prefere assim? Se for muito difícil tragar essas palavras, use apenas felicidade.
 
E se for ver com esses olhos, ser feliz é nada mais nada menos que descomplicar. Nada de complexidades. É difícil, e, sejamos realistas, o mundo não é assim, mas tente ser absolutamente imparcial, descomplicado.
Mas o que me deixa muito chateado é não poder prever o futuro, para comentar com um amigo: "Ei, adivinha o que vai acontecer", mas essa é a graça, no futuro iremos rir, sim, rir, de tudo. Ficaremos sempre magoados, sempre, mas podemos sempre rir, sempre.
Uma imagem que não apenas diz algumas palavras, mas conta uma história de uma vida toda, vivida até o momento e enquanto estiver vivendo.
Não acredito em nostalgia, acredito em paixão, a paixão que expresso um simples sorriso, a paixão que me lembra daquilo que eu sou, eu sou o que está aí e isso não pode ser tirado de mim, eu sou o que aconteceu, eu sou o agora e, por mais que seja diferente, serei o futuro.
E sempre carregarei essa paixão.


Thadeu Saieg
 

sábado, 22 de setembro de 2012

Monólogo da Separação

[Música calma começa a tocar]
[Entrada na cena] [Música para] [Entra olhando para cima]
Há uma coisa, uma pequena coisa, que não contei para vocês. [Olha para a plateia]
Obrigado pelos aplausos mais uma vez, muito obrigado mesmo. [Fala meio disperso]
Sim, voltando, há uma coisa que não falei para vocês: A vida muda, e a minha sempre mudou e de várias formas diferentes. Na maioria das vezes foi ruim. [Olha para baixo e solta um suspiro de cansaço]
Eu não sou bom em lidar com as mudanças e elas ocorrem o tempo todo e, ás vezes, sem você perceber.
Não é que tudo na minha vida dê errado, não estou falando isso. [Esfrega os olhos] É só que eu levo muito á sério coisas ruins.
[Senta-se numa cadeira]
Com licença, mas estou muito cansado, cansado demais para conseguir por os pensamentos em ordem, mas vou tentar.
[Encurva-se para a plateia]
Ultimamente tenho feito tanta coisa num só dia. Retomei minhas aulas de teatro, sou um dos melhores alunos da turma. Tenho qualidades, muito boas por sinal, tenho defeitos, quem não os tem? [Esboça um sorriso de canto] Aprendi muita coisa nesse meio tempo e nunca vou parar de aprender, teorias e práticas, profissional e pessoal. Sou uma nova pessoa, diferente, e sempre vou ser diferente!
[Recosta-se novamente na cadeira e olha para um ponto fixo com olhar vago no meio da plateia]
Eu tenho amigos, bons amigos e os faço em todo lugar, o engraçado é que escolho as pessoas certas, divergências acontecem, mas são as pessoas certas porque fazem parte do meu caminho, imagina se não fossem? Terrível!
[Abriu um sorriso em tom de alegria]
Escrevo minhas próprias peças e todos gostam delas, algumas pessoas não concordam, mas a maioria gosta, mesmo que seja para me agradar! Que mal tem isso? Eu gosto, me sinto bem.
Sou uma pessoa boa, não desejo o mal nem da pior pessoa do mundo, nem daqueles que me fizeram sofrer.
[O sorriso se desfaz]
Nem da pessoa que me fez sofrer. [Uma rápida pausa] Sabe, de todas as mudanças que já passei nunca achei que sofreria tanto, ou melhor, não podia saber que um dia sofreria tanto.
[Outra rápida pausa]
Como se pode desejar o mal da pessoa que amou? Nem que fosse a pior pessoa do mundo, e talvez seja.
O sofrimento faz parte, as mudanças fazem parte.
Não sou triste, sou uma pessoa feliz, com altos e baixos, sou feliz. [Abre novamente um sorriso] Vocês tem que ver como as coisas estão dando certo, para mim e para as pessoas em minha volta, que felicidade!
[Vagamente vai fechando o sorriso] [Olha novamente para um ponto fixo com olhar vago]
Mas é que quando tento lembrar do passado, mesmo de uma forma boa, com felicidade do que já foi bom, eu não consigo, eu consigo entender como, não consigo entender por que.
O sofrimento me ensinou a ser mais feliz, mas não me ensinou a esquecer.
[Fecham-se as cortinas]

domingo, 12 de agosto de 2012

Fluxo da vida

O ar passa pelo meu pulmão, sinto o pulso.
O que aconteceu com o mundo? É normal. Mudou, mudou para melhor, o melhor normal. Não mudou. Nunca mudou, sou o mesmo. Eu mudei, lembro-me das cores, dos cheiros, lembro do arrepio. O arrepio é de frio. Calafrio que faz lembrar de momentos que não voltaram. Siga em frente, não erre, não posso errar. Entro na cabeça de outra pessoa. Sou outra pessoa. Não vejo sentido nisso, mas são dois. Duas mãos, se encostam, vejo o que me fazia sorrir, vejo o que me faz sofrer. Detesto esse sentimento vazio de que tudo foi embora tão facilmente, com a mesma facilidade e leveza de um beijo registrado no teor disso tudo. Mudei para me refazer, para me piorar, e a loucura toma conta de mim. Não é mais raiva por amor que foi desperdiçado, não é mais raiva por amor que nunca fui amado. É raiva, simples e pura, como quem não quer perder, como quem não joga para não perder e não procura ganhar. Não quero ganhar, quero viver. Simplicidade pra mim não se mistura com o jogo, mas se mistura. Para ser livre, você tem que ganhar, tem que ser melhor, melhor do que eu nunca fui. E eu nunca fui amado. Burrice. Minhas palavras não perdoam. Não se lembram. Mas, ninguém nunca se lembra, ninguém liga para o passado. Ninguém liga para história. E a nossa história? Não interessa. O passado me mostra coisas que eu não queria ver, eu ainda não quero ver. Perco o presente. Perco no passado. Não sou mais o eu que costumava ser. O ser que costumava no eu. Ele ainda sofre. Ainda quero entender, por quê? Se acreditaram em mim. Faltava-me o ar. Era por você. Jamais será. Não sinto confiança. Cansei de ser especial para outros, serei especial para mim. Esse que acreditaram, esse que ouviram. Eu não desejo. Simples desejo do corpo. Não pude me encontrar em você. Engano. Eu calo, não percebo, escrevo, mas não leio. Eu puxo e ele volta. Eu destruo e ela está morta.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Existência na vida

Desfacela,
Tira-lhe a face,
grita-lhe o corpo,
arde a vontade.

Regenera,
Cria coragem,
Viva um pouco,
mate a saudade.

Desfacela,
faça tiragens,
ele vem do topo,
torture a verdade.

Impeça,
qualquer arbitragem,
mais do que um pouco,
cancele a viagem.

domingo, 25 de julho de 2010

Do carnaval a fidelidade

Pássaros cantando... Acabou de amanhecer um dia em que não dormi, mas não tem nada a ver com estar depressivo e pensativo, não dormi para me manter no horário certo. Agora só durmo hoje a noite bem cedo. Mas não vim falar da minha vida, nem de meus horários, isso é apenas uma introdução convidativa para ler a minha prosa, ou crônica poética (chame do que quiser) que vai vir a seguir.

Tentei acordar uma vez ao seu lado, mas não foi falha minha, tentei chegar a um objetivo, mas acabei por conservar os nós. Sorri por um momento, parei de sorrir. Sorri por outro momento, não consegui. Não tem nada a ver com tristeza e sim com lembranças. Disseram-me que águas passadas não movem moinhos, me disseram que era vento, não me disseram nada das lembranças, se elas movem moinhos ou não. Agora sei. Elas movem. Um mestre me disse uma vez, num consolo de carnaval, que aquele beijo, aquele corpo não seria mais encontrado, foi só um acerto repentino entre nós dois. O mesmo mestre também disse que o tempo que durar, se durou, foi infinito. Mestre, aquele beijo de carnaval repentino, durando o tempo que durou, se encontrando o tempo que encontrou, foi infinito.
A conclusão disso afinal é que uma vez ocorrido na vida, vira lembrança e virando lembrança torna-se infinito, pois durou um tempo e o tempo que durou vai se arrastar no tempo que está durando.
Águas passadas não movem moinho. Ventos passados não movem moinhos. Lembranças passadas são infinitas.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Serenata

Tirei do saco a viola
viola pra eu cantar
tira da minha viola
um espaço no seu lar

Tirei da viola uma nota
nota vida passageira
que se tira dessa nota
pouca vida, uma besteira

Tirei da nota uma música
pela música e pelo canto
que tirando pela música
tira também o espanto

E da música dancei
e dela nada tirei
não parei de dançar
até a vida se acabar

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Nada! Faz sentido...

Cara, sei que pode achar estranho eu estar aqui falando coisas que nem eu sei se fazem sentido, mas vou falar, não sei se você acha a mesma coisa. É que eu estava pensando na vida, como tudo muda, como tudo é estranho. Não esperava estar aqui, não sabia que nada do que está acontecendo iria acontecer... Pensava que nunca ficaria com ela, pensava que nunca o meu nunca aconteceria, não sabia, não adivinharia, talvez não quisesse saber, ou talvez lá no fundo sabia... Mudei muito, meu jeito, minhas relações, mudei, ruim? bom? normal seria a palavra certa, aconteceu, é talvez seja até bom... algumas coisas realmente são.
Vejo você no passado, não acerto o futuro, mas queria acertar. Não, talvez a surpresa seja boa, como é bom saber que mudou... não acha?

sábado, 8 de maio de 2010

Monólogo da Depressão

[Entrada na cena]
Muito obrigado pelos aplausos, muito obrigado. [Tom Tímido]
É muito importante para mim estar aqui hoje, porque afinal vocês são meu primeiro público de verdade. Devo somente avisá-los que não sou bom ator, fui eu que escrevi essa peça e, sejamos sinceros, não sou bom autor também.
Não estou aqui para encenar uma apresentação longa, nem tão curta. O palco está vazio para representar a história que vou lhe contar em resumos, a história da minha vida. Deixe-me começar rapidamente pelo curso de teatro que eu fiz, um amigo meu me disse que esse tipo de peça tem um nome esquisito, mas que faz sentido, se não me engano é um Monólogo, o problema é que quando eu ouvi falar desse tipo de peça [Abaixa a cabeça e começa o tom depressivo] eu fiquei com receio, porque nunca fui bom em ser o centro das atenções, em ser o único para quem todos olham, nunca fui e ainda não sou.
Eu sempre quis ser ator e autor também, escrever minhas próprias peças, encená-las, sempre foi um sonho, mas sempre foi também um pesadelo. Quando criança imaginava o mundo todo olhando para mim em uma tela de cinema, mas infelizmente não tinha o dom de ser olhado. A primeira garota de quem gostei parecia também gostar de mim, eu era criança e quando me esqueci dela... Bom, eu achava que qualquer garota de quem eu gostasse poderia também gostar de mim, o engano foi o bastante para aprender que o final nem sempre é feliz, ou melhor, quase nunca. Também não sou bom em amar.
[Senta-se em uma cadeira]
A escola me trouxe momentos felizes e momentos tristes, mas sempre que eu me lembro dos momentos felizes de antigamente eu fico triste, só me sobra então momentos tristes. A escola era a razão de sair daquele lugar muito rápido, desculpe, não a escola, as pessoas de lá. Meus amigos estavam longe, meus colegas... Quem precisa de inimigos?
Graças a Deus isso mudou nos anos que antecederam o vestibular, fiz amigos, fiz sim![Sorri por um momento, mas imediatamente fica triste] Devo aproveitar para dizer também que não sou bom amigo, aliás, não os tenho mais, e os que eram distantes se distanciaram mais ainda. Quanto tempo leva o sonho? Três, cinco ou dez segundos? Para mim levam horas... Meses... Anos...
Não passei no vestibular, [Riso Irônico] você deve saber por que, entrei para um curso de teatro, não consegui manter, tive então aulas particulares e me deram essa oportunidade de mostrar meu talento.
Infelizmente [Abaixa novamente a cabeça] não estou mostrando-lhes nada.
Não tenho o que mostrar.
[Apagam-se as luzes]

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Preservativo

Um amigo meu sempre me diz que não se preocupa com o que não é seu. Ele diz que sua vida, apenas ela, já é um tanto quanto intensa para ele entrar nas outras.
- Como você lida com isso? É tão chato!
Ele olhou para mim, levantou as duas sobrancelhas, deu um sorriso meia boca e recostou-se na cadeira.
- Amigo, não sabia que fosse se preocupar com o que não é seu. Para não ter problemas e não se meter neles apenas fique quieto. Sua vida é difícil, eu sei, pois bem, junte-se a mim.
Pegou em cima da mesa um jornal, abriu-o na parte de esportes e relaxou ainda mais. Imaginei até que se tivesse com um cachimbo ficaria mais interessante. Sua proposta era irrecusável.
- A minha preocupação é, na verdade, se vamos ganhar amanhã.
Abaixei a cabeça, refleti um pouco. Pensei no amanhã, nos meus afazeres, nos trabalhos, nas vitórias, nos sonhos.
- Sim, nós vamos.

domingo, 18 de abril de 2010

Contrariando Fernando Pessoa

"Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração."

          
Não

domingo, 21 de março de 2010

Não sou dono da verdade, mas...

O que na verdade nos inspira a ter alguma atitude é sempre um beneficio próprio, mesmo que faça algo por alguém você está fazendo por você, para ganhar um "obrigado" ou um "você é bom mesmo" ou até um parabéns.
Ao invés disso o que me ocorre é uma situação bem diferente, hoje em dia um palavrão que manda eu me auto cruzar já é um elogio melhor do que retardado ou um lesado. Sim, gostaria muito de receber elogios, e para essas pessoas que o fazem: o meu respeito eterno e meu muito obrigado absoluto, procuro ficar perto e me relacionar com o próximo que me respeita, o resto... leva essa denominação.
O mundo, as pessoas, o resto e eu, como disse antes, são levados a agir de modo a ganhar o seu beneficio próprio, para ter poder, para destacar sua personalidade se inspirando na outra pessoa, para sair do nada e alcançar o tudo.
Eu disse, não sou dono da verdade, mas tenho certeza de que um dia veremos a nossa própria face refletida em outro e pensaremos: Foi assim que eu sou.


"Não quero atacar ninguém, não sou inimigo de ninguém, apenas desejo ficar em paz comigo mesmo e para isso não posso ser rebaixado a nada"

sábado, 6 de março de 2010

Você em relação a você

Aqui é o fim, o começo do nada, o princípio do obscuro, a morte do ser, do superior, do inferior. Aqui você está sozinho, assim, sem defesa, aqui as pessoas te enojam, todos são você, todos estão contra você, sem você,  sozinhos, como você.
A realidade te apavora, te acalma, te exalta, te explora. A realidade é sua. Aqui não tem alma, aqui não é um lugar, aqui é um corpo. Aqui é o seu corpo.

domingo, 26 de julho de 2009

Conversas com o Tempo

O tempo afasta as pessoas, mas também junta elas, o tempo ensina, o tempo te faz refletir, o tempo te ajuda, mas te tortura ao modo que o tempo é suficientemente ruim para quem espera uma grande coisa. O tempo cura, às vezes cura o que ele mesmo implantou saudades, decepções, mas o tempo te dá chances. Enquanto o tempo passa, as pessoas crescem, sofrem, mas sofrendo vêem que não precisou sofrer o tempo que estava sofrendo. O tempo é magnífico, o tempo me ajudou. O tempo tende a me ajudar. Vou correr atrás das coisas que eu quero o tempo que for necessário. Meu amigo, meu inimigo, o tempo.

domingo, 5 de julho de 2009

Verdade, eu acredito nisso.

MUDA!
 
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