terça-feira, 23 de outubro de 2012

R.E.M.

Um casal de idosos, sentados no ônibus, conversando.
"Você vai ficar comigo pra sempre?"
"Sim, para sempre!"
"Nós não vamos viver muito mais, mas eu quero ir embora junto com você"
Eles se abraçam.
“Eu te amo”
Tudo fica branco.
Estou na sala de aula, ensino médio. Em minha volta muita gente, mas do meu lado meu amigo e Ela, como era costume. Um professor de matemática mandando a gente desenhar expressões em figuras que pareciam ser rostos num papel. Eu estava brincando, fazendo bagunça, meu amigo e Ela já tinham acabado o dever. Eu, por mais que me esforçasse não conseguia me concentrar e continuava a fazer bagunça. O professor gostava de mim, mas ficou muito irritado com a minha bagunça. Eu também gostava dele, mas fiquei irritado que ele não estava sendo paciente.
Tudo fica branco.
Estou com pessoas da minha antiga escola observando algo que não me recordo bem, parece um passeio. Meus amigos estão atrás de mim. Coloco minha mão sobre uma mão atrás de mim pensando ser um amigo e faço uma brincadeira. Olho para trás. É uma garota da minha escola, não era da minha sala.
"Desculpa, pensei que fosse outra pessoa"
"Tudo bem"
Olho para o lado e vejo um conhecido da mesma sala dela, os dois são amigos. Brinco com esse garoto sobre ser uma criança e ele ser meu pai. Os dois acham graça, nesse momento pareço muito baixo.
Branco.
Estou me arrumando num banheiro que me lembrava o do quarto do meu irmão. Estou ajeitando o cabelo com um pente. Um outro amigo entra no banheiro.
"Preciso usar o banheiro"
"Estou me arrumando"
"Então não olhe!"
Ele entra no banheiro e eu saio imediatamente. Vou para a sala, lembra a antiga casa da minha avó. Lá na sala os dois conhecidos da minha escola viraram dois antigos amigos meus. Eles estão deitados no chão junto com o meu primeiro amigo que está sentado em frente a uma TV ligada. Nada passa na TV, a sala está escura só com a luz da TV iluminando. Falam sobre uma história sobre o caso de uma garota que ficou com um garoto e eles eram amigos, e, nesse mesmo momento, Ela entra na sala. Meu amigo continua a conversa.
"Isso é como aconteceu com uma conhecida"
Ele cita o nome de uma pessoa que está na sala, deitada no chão, como se ela não estivesse lá. 

Ela olha imediatamente para mim e eu para Ela, não consigo fingir e esboço um sorriso sem graça. Ela começa a chorar e sai da sala.
Olho para meu amigo e ele se desculpa com a cabeça. Eu saio atrás Dela. Tudo Fica Branco.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Eleuterofobia

"Quem é o vilão?"
Todo dia acordava com um pensamento nada peculiar, o mesmo rondava a minha cabeça pelo dia inteiro. O destino me pós em mãos dois caminhos, por vezes foram mais que dois, e sempre tive que escolher. Normal.
Até aonde você iria por uma pessoa? Que escolhas faria por ela? Para chegar aonde cheguei precisei viver por mim mesmo, me libertar da necessidade de alguém.
Um dia, porém, acordei sem pensar em nada. Andei pela casa sentindo a vida, inspirando cada centímetro de bagunça, de poeira. Estava tudo sujo. Eu estava sujo. Olhei pela janela e vi o que nunca tinha visto: Uma vista maravilhosa, por entre concretos cinzentos, havia uma vista maravilhosa. E nada mais era vulgar.
"Hoje me livrarei dessa corrente!" Pensei.
Queria resolver problemas antigos, e fui sem peso na consciência. Não tem como agradar a todos e, normalmente, quando agrada a um, fere a outro. Nunca tive inimigos e nunca gostei de ter, pra mim eles não existem.
Saí na rua fazendo com que o mundo não me visse, era o dia de ser livre. Encontrei-me com algumas pessoas e arrumei minha vida. Ajeitei a bagunça.
Por que as pessoas não pensam iguais a mim?
A vida é muito complexa para problemas insignificantes, deixemos, por fim, a problemática de lado, pelo menos as que são sem sentido, as que não tem necessidade.
Eu estava bem comigo mesmo, me vangloriando por ser melhor do que eu podia e não só perdoar a outros, como perdoar a mim mesmo. Eu consegui me vencer, encontrar um eu de paz.
Como eu disse: As pessoas não pensam iguais a mim e é por isso que quando você agrada a um, você desagrada outro. Eu não tenho inimigo, não quero ter, e por isso ninguém vai ser o vilão para mim. Só para mim.
Se alguém me perguntar quem está errado eu não sei responder. E quem, afinal de contas, é o vilão?
Por não ter ficado preso, por ter criado minha própria liberdade, por não ter seguido a vida como "deveria", eu sou o vilão.
Eu construí essa destruição e vou ser o único que vai pagar por ela.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Pede pro doutor examinar

Por que minha cabeça é um tumulo?
Por que isso se foi tão rápido?
Desculpas a mim mesmo
Confusões em minha mente
Esvazia meus olhos cheio d'água


Pensamentos no pior
Nunca fui bom
ou sempre fui enganado
chega das perguntas
não consigo seguir meus planos
e as poesias sofrem também.


O que falo nem sentido faz
mas tem uma direção,
qual a direção desse sentido?
Qual o sentido dessa direção?


Desculpe meu amor, não consigo
Escrevo coisas sem sentido
Tento achar a direção
Não consigo mais mostrar meu amor
Não consigo mais mostrar minha dor


Consegui mostrar minha angustia?

domingo, 7 de outubro de 2012

Gran Esperanza

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No interior de cada amor há um pouco de amizade. No interior da paisagem sempre há a beleza.
E ela me diz:
“Seja forte como a água e paciente como o tempo”
E continuamos olhando para o infinito, enquanto conversávamos.
“No interior de cada homem há desgosto, há revolta, há vingança. No meu interior eu só consigo encontrar isso”
“Não é verdade. Você é muito mais que isso, só não consigo provar”
“Se não consegue provar, pelo menos não me prove o contrário”
O vento era forte, anunciava apenas o alto mar, mas lá, adiante, cruzando o oceano, se encontrava a terra firme.
“A sensação que dá quando me deparo com uma paisagem dessas é diferente, é um sensação de paz, alívio. De que existe muito mais que eu no meu mundo, e, para mim, isso é bom”
“É”
“Não estou mais aqui para assegurar sua felicidade, algo muito difícil por sinal, estou aqui para interpretar seus sonhos e fazer parte deles”
“É impossível”
“É”
“Do que você lembra vendo essa paisagem? sentindo essa paisagem?”
“Muitas coisas, que foram épocas boas, e que também foram épocas horríveis, mas principalmente do que foram, separadamente, para mim e para você. E você?”
“Não sei”
“Sonhei com você. Sonhei com ela. Sonhei que era esmagado pela minha própria autoestima. Horrível, me senti derrotado, me senti mal”
“Ela?”
“Sim... Seria possível me apaixonar novamente?”
“Sempre é”
“Não estou confiante. Não por mim. Acredito em mim. Confio em mim. Não quero me machucar novamente. Será que é possível? Será que não é muito prematuro?”
“Temos que arriscar”
“Não é assim tão simples”
“Nunca é”
O dia estava terminando de amanhecer. Paramos de conversar e ficamos em silêncio por um bom tempo.
“Essa paisagem, todas essas paisagens, me fazem lembrar o passado. Que vergonha! Arrependo-me de tanta coisa!”
“Eu não”
E ficamos ali por um bom tempo, sem cansar de observar o mar.
Sempre há uma história para cada paisagem.
E eu continuarei com a minha.

domingo, 30 de setembro de 2012

Para lembrar o que sou

Estou arrastando, devagar, as correntes. Não vou deixar que um dia, tudo o que tenha falado de mim seja verdade. Talvez seja.
Mas, e você? Quem é você? Uma pessoa que tortura a outra por pensamentos? Uma pessoa que se diz superior, mas não há um pingo de humildade em seu interior. Diz-se o máximo, e diz não fazer isso e aquilo porque sua religião não permite. Religião?
Você quer me falar de religião quando acha que pode vencer seus “amigos”? Você é correto, é o que dizem sobre você, é o que você mesmo diz, mas há muitos corretos como você, há muitas pessoas assim, e já conheci muitas delas.
Ninguém pode vencer os amigos. O que você fala de mim, pode até me deixar nervoso, estressado, mas, no fundo, não me atinge.
Você não é melhor que eu, ninguém é. Cada um com sua perfeição, pois cada um é perfeito de um jeito.
Você não é certinho. Nunca foi. Traiu mais de um amigo seu, que eu saiba, traiu todos que confiavam em você, mas ninguém sabe, ninguém acredita, pois você é certinho. Você não me engana, nunca me enganou. Você não é certinho pois julga os outros como seres inferiores, sabe quem é inferior?
Inferior é aquele que é um ser falso, que as conquistas e as glórias são ser melhor que alguém. Você é inferior.
Eu faço minhas conquistas e minhas glórias sem passar por cima de ninguém. Você diz que conquistaria o que eu conquistei se quisesse, mas não conquistou.
Se existe um tipo de escória no mundo, são pessoas como você. Pessoas insensatas, hipócritas, mas só o fato de não serem humildes já tira todo e qualquer brilhantismo delas.
Eu me julgo capaz de transformar meus próprios caminhos, minha própria vida, e só eu poderei me julgar.
E você, e todos parecidos com você, os “certinhos”, um dia vão perceber que a falsidade de vocês só leva a desconfiança das pessoas.
Eu estou arrastando devagar as correntes e, um dia, você vai saber que tudo o que falou de mim não era verdade. E não é.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por Inteiro e pela história




Por quê? Por que se o tempo passa isso se chama nostalgia? O nome já passa um sentimento de doença... “Estou com nostalgia", então vá se tratar. Não vejo doença, vejo que posso ir e voltar, e mudar, mudar muito. Vejo que posso rir e falar: "essa foi boa", foi ótima! A impressão que um futuro vai chegar passa completamente despercebida pelos olhos ‘nostálgicos’ do tempo impresso. E se o tempo chega, da até vontade de dizer que foi ‘coincidência’, mas e se tiver sido destino? Por que teria sido destino?
O clima. O ar. Sinto-me dentro do ambiente novamente, sinto o peso da roupa pelo meu corpo, sinto vontade de ir, ir embora, arrumar a bagunça e falar: "já fiz tudo, viu?". O sentimento é de... Bom, receio que seja de algo próximo a paixão, paixão pela vida, paixão pelo que viveu e, também, uma enorme vontade de gritar para todos: "Eu vivi esse momento!", e acredite, eu vivi, e por isso gosto de voltar atrás e relembrar, não sou um museu, múmia, ou qualquer outra analogia as lembranças passadas, sou um apaixonado, apaixonado pela vida, apaixonado pelos momentos. Os momentos sim, eles que trazem alegria, mas trazem angustia. Angustia por quê? Angustia de quem viveu e sentiu necessidade de viver mais, viver mais aquele momento, um momento que está preso no passado, acabei, por fim dessa conclusão, descobrindo o real significado de nostalgia.
Mas não quero lembrar com nostalgia, ou melhor, não quero a nostalgia, uma doença, uma palavra ruim, feia. Que tal paixão? E se for amor? Prefere assim? Se for muito difícil tragar essas palavras, use apenas felicidade.
 
E se for ver com esses olhos, ser feliz é nada mais nada menos que descomplicar. Nada de complexidades. É difícil, e, sejamos realistas, o mundo não é assim, mas tente ser absolutamente imparcial, descomplicado.
Mas o que me deixa muito chateado é não poder prever o futuro, para comentar com um amigo: "Ei, adivinha o que vai acontecer", mas essa é a graça, no futuro iremos rir, sim, rir, de tudo. Ficaremos sempre magoados, sempre, mas podemos sempre rir, sempre.
Uma imagem que não apenas diz algumas palavras, mas conta uma história de uma vida toda, vivida até o momento e enquanto estiver vivendo.
Não acredito em nostalgia, acredito em paixão, a paixão que expresso um simples sorriso, a paixão que me lembra daquilo que eu sou, eu sou o que está aí e isso não pode ser tirado de mim, eu sou o que aconteceu, eu sou o agora e, por mais que seja diferente, serei o futuro.
E sempre carregarei essa paixão.


Thadeu Saieg
 

sábado, 22 de setembro de 2012

Monólogo da Separação

[Música calma começa a tocar]
[Entrada na cena] [Música para] [Entra olhando para cima]
Há uma coisa, uma pequena coisa, que não contei para vocês. [Olha para a plateia]
Obrigado pelos aplausos mais uma vez, muito obrigado mesmo. [Fala meio disperso]
Sim, voltando, há uma coisa que não falei para vocês: A vida muda, e a minha sempre mudou e de várias formas diferentes. Na maioria das vezes foi ruim. [Olha para baixo e solta um suspiro de cansaço]
Eu não sou bom em lidar com as mudanças e elas ocorrem o tempo todo e, ás vezes, sem você perceber.
Não é que tudo na minha vida dê errado, não estou falando isso. [Esfrega os olhos] É só que eu levo muito á sério coisas ruins.
[Senta-se numa cadeira]
Com licença, mas estou muito cansado, cansado demais para conseguir por os pensamentos em ordem, mas vou tentar.
[Encurva-se para a plateia]
Ultimamente tenho feito tanta coisa num só dia. Retomei minhas aulas de teatro, sou um dos melhores alunos da turma. Tenho qualidades, muito boas por sinal, tenho defeitos, quem não os tem? [Esboça um sorriso de canto] Aprendi muita coisa nesse meio tempo e nunca vou parar de aprender, teorias e práticas, profissional e pessoal. Sou uma nova pessoa, diferente, e sempre vou ser diferente!
[Recosta-se novamente na cadeira e olha para um ponto fixo com olhar vago no meio da plateia]
Eu tenho amigos, bons amigos e os faço em todo lugar, o engraçado é que escolho as pessoas certas, divergências acontecem, mas são as pessoas certas porque fazem parte do meu caminho, imagina se não fossem? Terrível!
[Abriu um sorriso em tom de alegria]
Escrevo minhas próprias peças e todos gostam delas, algumas pessoas não concordam, mas a maioria gosta, mesmo que seja para me agradar! Que mal tem isso? Eu gosto, me sinto bem.
Sou uma pessoa boa, não desejo o mal nem da pior pessoa do mundo, nem daqueles que me fizeram sofrer.
[O sorriso se desfaz]
Nem da pessoa que me fez sofrer. [Uma rápida pausa] Sabe, de todas as mudanças que já passei nunca achei que sofreria tanto, ou melhor, não podia saber que um dia sofreria tanto.
[Outra rápida pausa]
Como se pode desejar o mal da pessoa que amou? Nem que fosse a pior pessoa do mundo, e talvez seja.
O sofrimento faz parte, as mudanças fazem parte.
Não sou triste, sou uma pessoa feliz, com altos e baixos, sou feliz. [Abre novamente um sorriso] Vocês tem que ver como as coisas estão dando certo, para mim e para as pessoas em minha volta, que felicidade!
[Vagamente vai fechando o sorriso] [Olha novamente para um ponto fixo com olhar vago]
Mas é que quando tento lembrar do passado, mesmo de uma forma boa, com felicidade do que já foi bom, eu não consigo, eu consigo entender como, não consigo entender por que.
O sofrimento me ensinou a ser mais feliz, mas não me ensinou a esquecer.
[Fecham-se as cortinas]
 
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